Paulo Pegoraro
De Cascavel
Se você estivesse convicto de que o mundo terminaria amanhã, o que faria hoje? Na véspera deste 11 de agosto, que, para algumas pessoas ou segmentos seria o dia do ‘‘fim do mundo’’ por causa do eclipse solar e seu simbolismo, como último do milênio, a pergunta foi feita a moradores de Cascavel, em pesquisa realizada em parceria entre a Folha e a empresa especializada Exatta, com tradição neste tipo de trabalho, e apoio da Agência X (de comunicação).
A forma de elaboração da pesquisa não transmitiu nenhum ‘‘sensacionalismo’’ aos entrevistados, nem os induziu a respostas que não expressassem suas convicções. Isso é demonstrado pelo fato de quase a totalidade ter dito que, em sua ótica, não há o mínimo de verdade nas ‘‘previsões’’ apocalípticas do ‘‘fim do mundo’’ hoje. Igualmente, observou-se que o tema foi tratado com seriedade pelos entrevistados: poucas foram as respostas ‘‘debochadas’’, embora a possibilidade de manifestarem o senso de humor.
Foram ouvidas 160 pessoas, aleatoriamente, entre 8h30 e 17 horas, e foi dada a oportunidade da resposta espontânea (inclusive não responder). Em caso de dúvida, foram apresentadas cinco alternativas aparentemente ‘‘lógicas’’ (na ótica de quem formulou as perguntas) para respostas. Após a pergunta inicial, e na dúvida, as opções foram as seguintes: 1 - rezaria muito, 2 - pediria perdão a todos que possa ter ofendido, 3 - doaria todos os seus bens? 4 - compraria um ‘‘monte’’ de coisas fiado, 5 - faria uma grande festa hoje.
Dos entrevistados, 92,50% disseram não acreditar que o mundo termine hoje, 5,62% têm ‘‘dúvida’’, 1,25% não respondeu e apenas 0,62% acredita. Mas, se estivessem convictos do ‘‘fim’’, 38,12% rezariam muito, 12,50% pediriam perdão aos que tivessem ofendido, 7,50% fariam uma grande festa, 3,75% não alterariam sua rotina, 2,50% comprariam muitas coisas fiado e igual percentual ficaria com suas famílias - essas foram as principais respostas. Entre outras, na faixa de 1,25% cada, foram: doaria todos os bens, não pagaria as contas, daria gargalhadas e comeria de tudo.
Em meio às perguntas, muitas pessoas fizeram comentários, anotados à parte pelos entrevistadores. Uma mulher disse que ‘‘tomaria todas hoje, mas todas mesmo, porque saberia que amanhã não teria dor de cabeça da ressaca’’. Para vários, ‘‘fim do mundo’’ é ‘‘a crise que estamos vivendo’’, e as ‘‘previsões’’ apocalípticas são ‘‘coisa de quem não tem nada a fazer’’. Um rapaz disse que ‘‘criaria coragem e pediria a namorada em casamento’’, outro que ‘‘gastaria tudo o que não tenho’’, e uma adolescente que ‘‘daria um jeito de engravidar, assaltaria um banco e mataria um homem’’.

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