Washington, 03 (AE-ANSA)- A apresentação do vídeo com o depoimento de Monica Lewinsky para o Senado americano no julgamento do presidente Bill Clinton despertou pouco interesse entre os parlamentares.
Muitas filas ficaram vazias, e muitos presentes marcavam com bocejos seu aborrecimento. Vários senadores preferiram enviar assessores para que lhes contassem o conteúdo do vídeo.
"É mais longo que o Titanic e a trama é um pouco monótona", declarou um senador. "Além do mais, era proibido levar sacos de pipoca", acrescentou.
O vídeo foi apresentado em quatro salas do Congresso, permitindo que os senadores escolhessem entre uma projeção contínua, uma versão "minissérie" (dividida em três capítulos de uma hora) e uma apresentação personalizada.
Esta última foi a que deu mais "Ibope": em uma sala havia dez monitores conectados com fones de ouvido e um videocassetes, de modo que os senadores podiam passar rapidamente pelas partes menos interessantes.
Se os comentários sobre o "filme" foram negativos, a protagonista recebeu, ao contrário, grandes elogios.
"Monica me pareceu muito fotogênica e com uma presença impressionante", afirmou a senadora Susan Collins. "Jovem, confiante, vulnerável", disse seu colega republicano Orrin Hatch.
"Inteligente e bem preparada: se comportou muito bem", concordou o senador Larry Craig.
A experiência adquirida pela ex-estagiária em suas declarações anteriores foi sentida. Lewinsky mostrou-se muito precisa em suas respostas, sem vacilações, e várias vezes pediu a quem a interrogava se poderia formular a pergunta de maneira mais clara.
A jovem não teve de falar dos detalhes íntimos de sua relação com Clinton. Umas poucas vezes o interrogante se aproximou da questão sexual com suas perguntas, mas foi parado de imediato pelos advogados de Lewinsky.
Para ver a gravação os senadores e seus auxiliares tiveram de assinar primeiro um documento se comprometendo a "não divulgar" o conteúdo das declarações de Lewinsky, sob pena de severos castigos.

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