Pouca pompa e muitas bombas no aniversário da Iugoslávia
Belgrado, 27 (AE-ANSA) - Belgrado celebrou hoje (27) com pouca pompa o sétimo aniversário da Federação Iugoslava, em meio a declarações do vice-primeiro-ministro Vuk Draskovic sobre uma suposta abertura nas negociações, o silêncio do presidente Slobodan Milosevic e o estrondo das bombas da Otan.
Como faz há 34 dias, a aliança atacou hoje a Federação Iugoslava, causando, segundo fontes sérvias, a morte de pelo menos 20 pessoas entre a população civil de Vranje, no sul do país.
As bombas aliadas também cairam sobre Pristina e outras regiões, tanto em Kosovo como no resto da Sérvia, enquanto os ataques noturnos causaram grandes danos em Kusumlija, sudoeste do país, onde, segundo fontes sérvias, também morreram 17 civis.
As bombas da Otan também caíram sobre os restos que ainda estavam de pé do prédio símbolo do regime de Milosevic no centro de Belgrado, onde se encontravam as antenas de transmissão de várias cadeias de rádio e televisão e a sede do governista Partido Socialista iugoslavo.
O ambiente imposto pelas bombas aliadas não favoreceu a festa estatal iugoslava, que foi celebrada com um ato no qual esteve presente Milosevic. Ele, entretanto, não fez nenhuma declaração.
O líder iugoslavo manteve assim silêncio sobre as declarações feitas pouco antes pelo vice-primeiro-ministro e ex-líder opositor Vuk Draskovic, dando conta que o governo de Belgrado, inclusive Milosevic, está disposto a discutir sobre a possível entrada de uma força militar internacional sob os auspícios da ONU em Kosovo.
Draskovic repetiu esta declaração pelo segundo dia consecutivo à imprensa internacional em Belgrado e chegou mesmo a assegurar que o governo federal pode aceitar, depois de um futuro acordo de paz, o reconhecimento dos resultados de possíveis investigações internacionais sobre sua responsabilidade na "limpeza étnica" levada a cabo por tropas sérvias em Kosovo.
Milosevic não desmentiu e, ao continuar calado, nem confirmou a abertura implícita nas palavras de Draskovic. O presidente tampouco lançou qualquer sinal contra o vice-premier.
Quem reagiu às palavras do barbudo ex-líder opositor - artífice das revoltas antigovernamentais de 1996 - foi Vojislav Seselj, vice- primeiro-ministro do governo da Sérvia e chefe do ultranacionalista Partido Radical.
Em um duro comunicado divulgado hoje, Seselj conclamou a Iugoslávia a defender-se "da agressão externa com as armas" e acusou de "traição" os que estejam dispostos a promover um acordo com "os criminosos da Otan".
Os ultranacionalistas, sem citar diretamente Draskovic, garantiram que são fortes o bastante para "bloquear essas quinta-colunas que, no interior do país, favorecem os agressores".
"Nenhuma pessoa séria pode aceitar a chegada de tropas estrangeiras à Pátria; isto significaria a ocupação e a destruição", acrescentou a nota.
Para Draskovic, ao contrário, o principal problema é parar os bombardeios, "que estão destruindo a Iugoslávia e sua economia".
O vice-primeiro-ministro garantiu que suas palavras refletem "em 99% a posição do governo" de Milosevic e explicou que o 1% de discórdia refere-se à posição a ser adotada sobre a composição das tropas de paz.
Draskovic, entretanto, se disse seguro que Milosevic também chegará a um acordo sobre este ponto com o mediador russo, Viktor Chernomyrdin, que pretende voltar a Belgrado mas, por enquanto, ninguém sabe dizer quando.
O vice-premier ameaçou, por fim, voltar à oposição e organizar manifestações em massa caso o presidente iugoslavo se feche em sua posição.





