Postos vão repassar integralmente reajuste de combustíveis
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segunda-feira, 28 de fevereiro de 2000
Por Irany Tereza 
Rio, 29 (AE) - As distribuidoras e os postos de revenda de combustíveis vão repassar integralmente o reajuste de 7% autorizado para as refinarias. Isto vai representar aumentos entre 5% e 7% para o consumidor. A BR Distribuidora, subsidiária da Petrobras, informou que fornecerá gasolina para os postos de São Paulo com aumento de 6,42%, o que significa um acréscimo de R$ 0,07 no valor cobrado atualmente dos postos.
Segundo o chefe do Centro de Estudos de Preços da Fundação Getúlio Vargas, Paulo Sidney Cota, a variação de preço de combustíveis foi um dos ítens que mais pressionaram a taxa de inflação no ano passado, tanto no atacado quanto no varejo. Ele calcula que, no mês que vem, um aumento de 6% para o preço da gasolina na bomba vai acarretar uma elevação 0,19 ponto percentual no Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que mede a inflação no varejo.
O reajuste decrescente nas refinarias, distribuidoras e postos revendedores ocorre por causa da diferença na base de cálculo. Nas refinarias, a gasolina tipo "A", que é vendida a R$ 0,6206 o litro, passará para R$ 0,6640 com os 7% de aumento, ou seja, terá acréscimo de R$ 0,04 por litro. Nas distribuidoras
a gasolina é misturada ao álcool anidro (mais barato que a gasolina) na proporção de 24% por litro. "Vamos elevar o preço em R$ 0,07, mantendo inalterada nossa margem de lucro", diz o gerente nacional de Automotivos da BR, Antonio Rubens Silvino.
Alísio Vaz, diretor da distribuidora Ipiranga, diz que os reajustes serão imediatos porque, segundo ele, os estoques estão muito reduzidos. Amanhã, quando for publicada no Diário Oficial a portaria ministerial autorizando o aumento de preço nas refinarias, distribuidoras e postos também estarão apresentando valores mais altos a seus clientes. A Ipiranga repassará aos postos combustível entre 5% e 7% mais caro, dependendo da região do País. Em São Paulo, o aumento será de 6 5% e, no Rio, 6,3%.
Na Petrobras, o percentual autorizado pelo governo foi classificado como aquém das variações de mercado verificada nos últimos meses para o preço do petróleo, mas não há informações sobre o impacto da medida no resultado da conta petróleo, que está deficitária desde o último trimestre do ano passado.
O reflexo negativo sobre a inflação pode ser maior este ano do que o de 1999, dependendo da quantidade e do percentual acumulado dos reajustes (no ano passado o total foi de mais de 60%). Cota lembra que em períodos de recessão os estragos de reajustes como este à economia são menores, mas, se confirmado o crescimento econômico esperado pelo governo a relação entre preço de combustíveis e aumento de inflação deve ser mais estreita. Em épocas de consumo maior, os empresários não pensam duas vezes antes de repassar todos os custos a seus preços para não reduzir margens de lucro.


