Postos poderiam fazer 40% dos atendimentos
Também no Hospital da Zona Norte (HZN), classificado como de nível secundário (média complexidade), os atendimentos em condição de vaga zero são comuns. Isto acontece praticamente todo dia. Uma das causas é o grande número de casos que chegam até nós e que poderiam ser diagnosticados e tratados nas unidades básicas de saúde. Cerca de 40% dos atendimentos poderiam ser feitos no setor primário, calculou o diretor geral do HZN, Naja Nabut. Segundo o médico, são feitos pelo menos cinco atendimentos vaga zero por dia no PS.
O médico reconheceu, porém, que a população recorre aos hospitais por não conseguir solução para seus problemas em outras instâncias. Se o sistema como um todo funcionasse bem, se os postos de saúde tivessem uma estrutura adequada de atendimento, a situação seria outra. Mas do jeito que está, o paciente acaba procurando diretamente os hospitais porque sabe que, mesmo demorando, consegue atendimento.. A mesma coisa, lembrou Nabut, acontece com o Samu. Muitas vezes a pessoa sabe que o seu quadro não necessita de transporte por ambulância, mas como ela também sabe que de outra forma será mais difícil conseguir atendimento, acaba acionando o serviço, causando uma sobrecarga que poderia ser evitada, desestabilizando todo o sistema.
O diretor do HZN admitiu que, embora prevista pelo Ministério da Saúde para situações excepcionais, a chamada vaga zero torna-se muitas vezes um problema para o hospital. Acontece com frequência de não termos leito disponível, mas como não podemos nos recusar a atender, temos que reter a maca do Samu ou do Siate, gerando outro problema. É um círculo vicioso, disse o médico.
Para Nabut, a solução não está em aumentar o número de leitos nos prontos-socorros, mas dar condições para que cada setor cumpra seu papel. O setor primário tem que fazer atendimento primário, o setor secundário, atendimento secundário, e assim por diante. Mas não é o que acontece. Aqui, além do grande número de atendimentos que deveria ter sido feito no posto de saúde, outra parcela grande (20%) é de atendimento de nível terciário (alta complexidade), que a princípio não teríamos estrutura para atender, como, por exemplo, pacientes aguardando vaga em UTI. Ou seja, menos da metade (40%) são atendimentos secundários, que são o nosso papel.
Para ilustrar o constante crescimento da demanda nos hospitais, o diretor revelou que em janeiro de 2010 foram feitos 3,5 mil atendimentos no hospital, contra 5,5 mil atendimentos em janeiro deste ano. Nos meses de fevereiro e março, com o pico da dengue, chegamos a 7,5 mil atendimentos por mês. (S.L.)





