Postos não diagnosticam a hanseníase
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quinta-feira, 21 de outubro de 2004
Luis Renato Strauss<br>Folhapress 
Brasília, DF- A um ano para cumprir a nova meta de erradicação da hanseníase, 73% dos postos de saúde do país não têm capacitação para diagnosticar e tratar a doença, segundo dados divulgados ontem pelo Ministério da Saúde. No mundo, somente o Brasil e outros cinco países têm a hanseníase como um problema endêmico.
O governo quer reverter esses números e já treinou neste ano cerca de 3.000 equipes. O país está ao lado de Moçambique, Índia, Nepal, Madagascar, Paquistão e Zimbabwe para a erradicar a doença.
Dos 5.550 municípios do Brasil, 60% apresentaram novos casos em 2003. No primeiro semestre deste ano foram confirmados 25.288 casos, sendo 2.156 de crianças.
Os primeiros sinais da hanseníase são pequenas manchas dormentes de cor branca ou vermelha. A pessoa perde a sensibilidade no local ao calor, à dor e ao tato. A duração do tratamento varia de seis meses a dois anos. Mas, se o tratamento for tardio, o doente pode ficar com sequelas, como deformidades.
O Ministério da Saúde divulgou ontem que existem no país 4,5 casos para cada 10 mil habitantes -um total de 79.908 registrados em 2003. A OMS (Organização Mundial da Saúde) lançou em 1991 uma meta para erradicar a hanseníase no mundo até 2000 -o índice de erradicação é de 1 caso para 10 mil habitantes. Entre 1994 e 1998, o país conseguiu diminuir pela metade a sua taxa (de 10,5 para 4,5). Mas, em 1998, o governo federal já afirmava que não atingiria a meta. No ano seguinte, estabeleceu um novo marco, que seria 2005.
Apesar de o ministro Humberto Costa (Saúde) ter afirmado que não haverá um limite para despesas, houve contingenciamento na pasta em 2003 e até setembro deste ano. Em 2003, só 0,06% de um total de R$ 3,9 milhões em investimentos previstos no Orçamento foram empenhados.
Do custeio, apenas 25% dos R$ 7,3 milhões foram liberados. Até 17 de setembro deste ano, nenhum investimento (previsão de R$ 7,3 milhões) foi empenhado e apenas 28,7% do custeio (previsão de 33 milhões) foi utilizado.
Segundo Jarbas Barbosa, secretário de Vigilância Endêmica da Saúde, a etapa final de erradicação precisa ser um trabalho minucioso e, para isso, foi lançado ontem as ''Cartas de Eliminação da Hanseníase''.
O governo encaminhará a cada três meses as estatísticas para os Estados e municípios sobre a evolução da campanha em suas regiões.


