Postos de saúde descumprem liminar da vacina
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quarta-feira, 14 de abril de 2010
Anelise Faucz<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Mesmo com a liminar concedida pela 2 Vara da Justiça Federal no Paraná garantindo a vacinação maciça no contra a gripe A (H1N1) no Paraná, as pessoas que procuraram os postos públicos de sa© úde, ontem, voltaram frustadas para casa. A empresária Lígia Wille de 46 anos, procurou a unidade de saúde da Praça Ouvidor Pardinho na capital. Com o marido e os dois filhos em faixa etária não contemplada pelo calendário de imunização da União, Lígia terá que recorrer a clínicas particulares e pagar para ter a vacina.
Ontem à noite, o secretrário de estado da saúde, Carlos Moreira Júnior, esteve em Brasília e se reuniu com técnicos do Ministério da Saúde para discutir a possibilidade de imunizar integralmente a população do Estado. Contudo, na opinião do secretário, não há a necessidade de envolver toda a população no calendário da União, uma vez que, se as faixas etárias de risco forem integralmente atendidas, a expectativa é de contenção ''efetiva do vírus''. ''Em maio faremos uma reavaliação da situação. Se houver necessidade veremos a possibilidade de estender a vacina para toda a população'', disse Moreira.
Uma outra justificativa assusta as pessoas que temem o impacto da segunda onda da gripe A no Brasil. ''Mesmo se quiséssemos imunizar toda a população, não há estoque suficiente de doses'', declara o secretário. Ele falou de antemão, que o ministro José Gomes Temporão irá recorrer da decisão que estende as doses para todos do Estado.
Para o procurador de justiça do Ministério Público do Paraná, que há 13 anos atua na área de saúde, as prateleiras vazias de doses da vacina no estoque da União não é justificativa para fazer cair a liminar. ''Existem três laboratórios da vacina, um deles fornece para o Ministério da Saúde. Os outros dois estão alimentando a rede privada. Então quer dizer que não tem vacina na União, mas tem na rede privada?'', questiona o procurador.
Marco Antonio ressalta que a liminar procura até mesmo atender, em especial, a população de baixa renda que não tem o dinheiro para receber a vacina em clínicas. Em pesquisa, foi apurado que o preço da dose, na capital, gira entre R$ 80 e R$ 120.
O alerta feito ontem pelo Procon-PR é para que a população fique alerta sobre a oferta de vacinas falsas. O produto não pode ser oferecido em farmácias.
O preço para imunizar toda a família exigiu malabarismos no orçamento da família Wille, que vai dividir a ida dos membros aos laboratórios. Este mês vão os filhos e em maio Lígia e o marido. ''Quem sabe até mês que vem a minha vacina e a do meu marido já seja no posto de saúde'', espera Lígia.


