Brasília, 04 (AE) - A substituição do diretor-geral da Polícia Federal (PF), Vicente Chelotti, foi hoje um dos principais temas da agenda do presidente Fernando Henrique Cardoso, que conversou duas vezes com o ministro da Justiça, Renan Calheiros. Até às 18 horas de hoje, no entanto, o governo ainda não tinha definido o nome do substituto do delegado, que ficou quatro anos no cargo. O Ministério da Justiça informou que
no início da noite, o ministro faria um importante anúncio.
Pela manhã, Fernando Henrique conversou com o ministro da Justiça sobre a substituição do diretor-geral da PF, que, em conversas telefônicas, disse ter cola superbonder na cadeira e ainda ter "nas mãos" o ex-ministro da Justiça Íris Resende.
Chelotti vinha sugerindo em conversas que se mantém no cargo graças a informações privilegiadas que tem de autoridades do governo federal.
Ao chegar hoje de Lima, às 10 horas, Calheiros telefonou para Fernando Henrique. Na conversa, trocaram as primeiras informações sobre a saída de Chelotti. O ministro também conversou com o senador Romeu Tuma (PFL-SP), sobre o novo substituto.
No período da tarde, Calheiros foi ao Palácio do Planalto, onde foram feitas ponderações sobre um nome ideal para substituir Chelotti. A Casa Militar da Presidência defende um nome de carreira da própria PF, mas com feições menos corporativistas que Chelotti. Os militares dizem que Chelotti criou uma espécie de hierarquia paralela no governo, chegando a desrespeitar até Fernando Henrique.
A substituição de Chelotti na PF deverá representar maior liberdade para Calheiros deslanchar campanhas de defesa do consumidor. Calheiros tentou algumas vezes prender agiotas e punir donos de supermercados que lesam os consumidores, mas não ganhou o apoio esperado da PF. A avaliação feita até por agentes da PF é que seria fácil prender agiotas, bastando para isso ler os anúncios nos jornais.

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