A possibilidade de falha no lançamento do Satélite de Coleta de Dados, levou os assessores do Palácio do Planalto a preservar o presidente Fernando Henrique Cardoso. Mesmo com insistentes pedidos da imprensa no sábado, a assessoria do presidente não aceitou que os fotógrafos tivessem acesso ao local em que o presidente iria acompanhar o lançamento do SDC-2A.
Fernando Henrique visitou a Base de Alcântara na última terça-feira, e conferiu toda a operação armada para colocar em órbita o SCD-2A. Cercada de sigilo, a visita não contou com a cobertura da imprensa e só foi confirmada no final da noite de quinta-feira.
Assim que tomou a decisão de abortar o lançamento do VLS, a 1h05 (2h05 no horário de Brasília) da madrugada de domingo, o coronel Tiago Ribeiro Martins ligou da Base Aérea de Alcântara para o diretor-geral do Departamento de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério da Aeronáutica, Marconi de Almeida Santos.
Coube a Marconi informar, imediatamente, o ministro da Aeronáutica, Lélio Viana Lobo. Fernando Henrique foi avisado do cancelamento por Lélio Lobo, segundo informação dos assessores de imprensa do Planalto, no início da manhã de ontem.
A sala Martins Penna, do Teatro Nacional de Brasília, foi preparada para receber 250 convidados que assistiriam, de um telão, a transmissão do lançamento do SCD-2A. Por volta de 8 horas, sem saber que a operação havia sido cancelada por problemas técnicos, os convidados começaram a chegar.
Cerca de 40 pessoas aguardaram no local até a confirmação oficial do cancelamento, transmitida pelo locutor da Radiobrás. Além do problema técnico com o radar de solo em Alcântara, a coletiva na qual foram divulgadas as razões do cancelamento sofreu um atraso de quase duas horas. Os técnicos da Radiobrás tentaram de 8h45 às 10h10 estabelecer contato com São José dos Campos.

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