A Polícia Federal do Pará começa hoje a retirar 400 famílias de posseiros que há dois anos invadiram e ocuparam uma área de terra dentro dos limites da reserva indígena Trincheira, pertencente à tribo Caiapó, no município de Senador José Porfírio, região oeste do Estado. Cerca de 20 agentes federais comandados pelo delegado Adolfo Machado viajaram para Altamira no último sábado, onde se integraram a um grupo de representantes do Ministério Público Federal, Incra, Funai e Ibama, que estarão na reserva caiapó para acompanhar a retirada dos invasores.
A Justiça concedeu liminar de reintegração de posse aos índios. De acordo com o procurador da República Ubiratan Caseta, a decisão de agir contra invasores de terras indígenas é apenas a primeira de uma série de providências que serão tomadas, a partir de agora, para proteger os 14 mil índios que vivem no Pará. Ele informou que ainda não foi definida uma nova área para as famílias de ‘‘brancos’’ que vivem na reserva caiapó.
Semana passada, durante três dias seguidos, procuradores e promotores de Justiça debateram em Belém os problemas enfrentados pelos índios que vivem em regiões isoladas do Pará. ‘‘Temos que reconhecer que eles não estão tendo do Poder Público e das instituições a proteção que merecem’’, admitiu Caseta.
O procurador-geral de Justiça Manoel Santino Nascimento Júnior defende uma ação integrada dos Ministérios Públicos Federal e Estadual e de órgãos governamentais para coibir o roubo de madeira, exploração de ouro e grilagem de terras indígenas.
Caseta anunciou que a próxima operação policial será contra invasores da reserva dos índios Tembé, que vivem em 300 mil hectares no município de Capitão Poço, no leste do estado. Lá o problema é mais grave. Os colonos resistem à idéia de sair do local, alegando que moram, plantam e caçam na região há mais de 20 anos.

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