Posicionamento político é consistente
Quem procura política no sentido mais estrito da palavra, porém, não tem do que se queixar. Há discussões de todo tipo, com militantes de várias partes do mundo. Temos que fazer os governos discutirem mais sobre como melhorar a qualidade de vida, afirma a italiana Sara Nocentini, de 27 anos, aluna de pós-graduação em história política e econômica da Universidade de Florença.
Ela é uma das cinco delegadas enviadas pelo Fórum Social de Florença, criado no ano passado, após os conflitos de rua ocorridos em Gênova, durante uma reunião do grupo do G-8. Nesses distúrbios de rua, o ativista Carlo Giuliani foi morto a bala por um policial. Juntei-me ao movimento e decidi me envolver mais na luta contra a globalização após a reunião, conta ela, que chegou a Gênova no dia seguinte ao assassinato do militante.
Até então, Sara participava esporadicamente de movimentos na universidade e, mesmo sem ser filiada, de atividades da Refundação Comunista o agrupamento que não concordou com a transformação do Partido Comunista Italiano em Partido Democrático da Esquerda.
Eles (da Refundação) têm só 5% dos votos, mas são a única alternativa, diz ela. Mesmo longe da Itália, ela não esquece a política de seu país. Tivemos um problema com o PDS em Gênova, ele tinha decidido participar das demonstrações, mas desistiu após a morte de Giuliani, condena.
A economista tanzaniana Muna Rebecca enfrentou dois dias de viagens e conexões para chegar à capital gaúcha. Muna é uma das três delegadas da Coalização da Tanzânia sobre Dívida e Desenvolvimento e está interessada nas discussões sobre dívida externa. Pela primeira vez no Brasil e no FSM, ela conta que veio porque amigos economistas também foram chamados. O melhor aqui é a troca de experiências entre as pessoas do (Hemisfério) Norte e (Hemisfério) Sul, diz. Os governos do Norte não querem ajudar os pobres. Isso se manifesta nas diferentes negociações.
Para a uruguaia Lilian Celiberti, da Articulación Marco-Sur, uma rede de organizações feministas sul-americanas, o 2ª FSM é a oportunidade para, mais uma vez, retornar ao Brasil, onde vivia como exilada e foi sequestrada em 1978, com Universindo Díaz, por agentes paraguaios e policiais brasileiros. Os dois foram levados de volta para o Uruguai.
Libertada em 1983, Lilian também já morou na Itália. Uma das articuladoras da campanha Contra os fundamentalismos, o fundamental é a gente, lançada no FSM 2002, a uruguaia conta que a idéia de lançá-la se consolidou após os atentados de 11 de setembro de 2001.





