Posição de ministro frustra sindicalistas
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domingo, 25 de julho de 1999
Por Gustavo Alves 
Rio, 26 (AE) - Os sindicalistas e o deputado federal Luiz Antônio Medeiros (PFL-SP) saíram da reunião com o ministro do Trabalho, Francisco Dornelles, sem conseguir apoio à reivindicação para que a criação de uma fábrica da Ford na Bahia não resulte em demissões nas unidades da montadora em São Paulo e em São Bernardo, no ABC. O ministro apenas agendou para amanhã (27), às 11 horas, encontro dos líderes sindicais com o presidente da Ford, Antônio Maciel Neto.
"Não saímos de mãos vazias", afirmou o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, ao fim do encontro
na Delegacia Regional do Ministério do Trabalho, no Centro. "Semi-vazias", complementou, com expressão contrariada, o deputado federal. Os líderes sindicais foram pedir a Dornelles apoio para a inclusão, na medida provisória que estendeu o regime automotivo para beneficiar a ida da Ford à Bahia, item para garantir o emprego dos funcionários da montadora em São Paulo.
Antes mesmo da reunião, o ministro já havia declarado ser contra a medida. Segundo Dornelles, não existe relação entre a criação da unidade na Bahia com a transferência da fábrica da Ford no Ipiranga para São Bernardo, no ABC. "Não se pode exigir
para investimento na Bahia, uma exigência que não foi feita para a implementação de outras montadoras", afirmou o ministro, após a reunião.
"Na verdade, não esperávamos muito", admitiu o Egberto Guiba, o "Gui", presidente da Confederação Nacional dos Metalúrgicos da Central Única dos Trabalhadores (CUT). Gui criticou a opinião de Dornelles, de que a inclusão do item para garantir os empregos seria intervenção indevida do governo. "Ele chama de intervenção, mas nós chamamos de obrigação do Ministério do Trabalho", queixou-se. "Os governos estão cedendo muito e pedindo muito pouco de volta", criticou o líder dos metalúrgicos.
Ele lembrou que, antes da instalação da fábrica da Volkswagen em Resende (RJ), a montadora tinha, em todo o País, 6 mil funcionários, e agora tem 4 mil. Os sindicalistas informaram que querem que a Ford mantenha na fábrica de São Bernardo a produção de carros populares, caso a unidade absorva a linha de produção de caminhões e picapes de São Paulo. Atualmente, dos 6 mil funcionários da Ford em São Paulo, 1,1 mil estão em disponibilidade em São Bernardo e 331 em São Paulo, de acordo com Paulinho.
Medeiros afirmou que amanhã (27) irá procurar o presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-RJ), para pedir apoio na campanha para evitar demissões na Ford em São Paulo. Segundo Paulinho, a responsabilidade pelo problema é do Executivo, e não do senador ou da Ford. "Quem está dando o dinheiro para a Ford ir para a Bahia é o governo", argumentou.
Greve geral - Os líderes sindicais rejeitaram a idéia de uma greve geral no momento, como sugeriu a direção da Federação Única dos Petroleiros (FUP). "Não sei se tem clima, está muito cedo para falar em greve geral", afirmou o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho. "Esse negócio de ficar lançando greve sem ter sustentação é atirar no que viu e acertar no que não viu", avaliou o presidente da Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT, Egberto Guiba, o "Gui".


