Médico nutrólogo e presidente da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN), Durval Ribas-Filho explica que a intervenção cirúrgica para tratar obesidade mórbida vem apresentando resultados que melhoram a cada dia, graças ao aperfeiçoamento das técnicas e procedimentos. Mas ele alerta que os efeitos dessa evolução dependem diretamente do pré e pós-operatório, do acompanhamento médico adequado e constante do paciente e, sobretudo, de alimentação apropriada.
Ribas esclarece que, antes de chegar à mesa de cirurgia, os pacientes passam por uma preparação que, entre outras exigências, inclui uma redução de 10% do peso máximo já registrado pelo paciente. ''Na verdade, o processo começa meses antes da cirurgia, quando o paciente começa a mudar sua rotina para hábitos que o acompanharão pelo resto da vida''.
O acompanhamento do pré e do pós-operatório por um médico nutrólogo é imperativo, ressalta Ribas. ''A pessoa precisa aprender a conviver com seu novo corpo, que tem agora um estômago menor. Afinal, a opção foi trocar uma doença perigosa por uma vida de regras e disciplina'', salienta.
Controlar a alimentação é essencial para evitar o retorno da obesidade mórbida e suas comorbidades, como hipertensão arterial, diabetes e síndrome metabólica. Segundo o médico nutrólogo, o ideal é fracionar as refeições, para não ''sobrecarregar'' o novo estômago, ocasionando vômitos e, consequentemente, perda de nutrientes importantes, como sódio e potássio.
''É importante que o paciente siga à risca as orientações médicas para sua dieta, pois são frequentes os casos de hipovitaminose, que é a carência de vitaminas no organismo'', alerta o médico. Ele lembra que essa carência nutritiva pode causar anemia, queda de resistência imunológica e contribuir para quadros de depressão.
E para quem pensa em realizar redução de estômago visando melhorar a forma física, o presidente da ABRAN é taxativo: ''Não existe cirurgia bariátrica estética. O objetivo é tratar uma doença e garantir uma vida melhor e com mais qualidade ao paciente'', afirma.
Segundo uma pesquisa da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica divulgada em 2008, existem no Brasil cerca de 63 milhões de pessoas com sobrepeso, 15 milhões de obesos e 4 milhões de pessoas com obesidade mórbida. A doença é considerada um problema de saúde pública pelo Ministério da Saúde.

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