Pós-greve tem sobra de fretes
Carmem Murara
De Curitiba
O primeiro dia após a greve dos caminhoneiros frustrou as expectativas dos motoristas, que esperavam conseguir cargas com fretes mais altos, e também das transportadoras e agenciadores de cargas, que sonhavam ter um excesso de mão-de-obra sedenta por trabalho. Os caminhoneiros recusaram as cargas com frete baixo e houve uma super-oferta. Os pátios das centrais de frete em Curitiba tiveram movimento reduzido durante todo o dia.
No Posto Brasília, onde trabalham 105 agenciadores de cargas, faltou caminhão para muito frete. A proprietária da Agência de Cargas Santos, Sílvia Vardânega, se disse frustrada. Achei que teríamos um dia movimentado com muitos carregamentos. As transportadoras telefonaram o dia inteiro para oferecer cargas, mas não tinha caminhoneiro que as aceitasse, explicou Sílvia. Ela costuma agenciar de oito a dez fretes por dia e ontem não conseguiu nenhum.
O dono da Cargas Posto Brasília, Darlan Ricardo Costa, também reclamava do dia. Tem carga para todo lugar do Brasil, mas não tem caminhoneiro, disse Costa. Ele afirmou que por causa dos bloqueios rodoviários muitos caminhoneiros que costumavam estar na sexta-feira em Curitiba para carregar, ontem ainda permaneciam em Estados do Nordeste ou no Rio Grande do Sul.
Os caminhoneiros que ontem permaneceram nas centrais de frete esperavam uma melhora no preço. Alírio Pereira preferiu ficar com o caminhão estacionado no posto de gasolina a enfrentar uma viagem para o Nordeste. Tive oferta para ir para Fortaleza por R$ 2,5 mil, mas gasto R$ 1,6 mil somente em petróleo, pedágio e comida. O que sobra tem que investir no desgaste do caminhão. E para mim?, questionava. Ao fazer os cálculos, Pereira disse que só valeria a pena viajar por R$ 2,9 mil.
Apesar dos problemas no primeiro dia após a greve, caminhoneiros e agenciadores foram unânimes em dizer que o movimento foi positivo e vitorioso. Um dos coordenadores paranaenses da União Brasil Caminhoneiro, André Felisberto, disse que o País aprendeu a respeitar a força dos motoristas de caminhão. Gritávamos por socorro. O País ouvia, mas não dava resposta. Agora vai ser diferente, afirmou.
Os caminhoneiros deram um prazo de três meses para que todas as reivindicações sejam negociadas, entre elas a mudança no sistema de pesagem de carga e redução do pedágio. Somos um barril de pólvora e estamos em contagem regressiva, esperando a atitude do governo federal, ameaçou.





