Brasília, DF- Pesquisa divulgada ontem pela Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) aponta que, dos 122.295 estudantes matriculados neste ano em cursos de mestrado (acadêmico e profissional) e de doutorado, 44.316 deles, ou seja, 36,23% são bolsistas.
''Do total de não-bolsistas, quase metade tem vínculo profissional e não poderia recebê-la. Mas a outra metade não tem e poderia ser atendida. Essa situação merece nosso olhar para equacioná-la'', diz o presidente da Capes, Jorge Almeida Guimarães. Ou seja, cerca de 38,9 mil alunos da pós podem atender hoje aos requisitos para buscar uma bolsa, mas não há oferta para atender a todos.
Não foi feito, porém, um levantamento de quanto desses estudantes podem ter procurado o benefício e não conseguiram.
Segundo Guimarães, a Capes está buscando parcerias com Estados e instituições privadas com o objetivo de tentar ampliar a oferta das bolsas e até de cursos de pós-graduação. Atualmente são 1.925 programas (que podem abrigar até três cursos), dos quais 1.068 estão na região Sudeste.
''Com o aumento das matrículas não será possível as agências manterem crescimento anual do orçamento que possa fazer frente a essa demanda. Não temos a ilusão de que seja possível. Por isso, estamos buscando as parcerias.''
A Capes é a maior financiadora dos bolsistas. Atende a 54% deles, seguida do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), com 30%. O restante é feito por fundações de apoio e outras instituições.
De acordo com Guimarães, as matrículas de mestrado têm crescido nos últimos dez anos a um ritmo médio de 11% ao ano, enquanto as de doutorado ficam em 14%. Já o orçamento da Capes, por exemplo, aumentou, em média, 2% ao ano no período.
Ao comparar o número de matriculados em cursos de pós-graduação neste ano aos dados de 1995, detecta-se um aumento de 84,6%. Passou de 66.247 (incluindo mestrado e doutorado) para os 122.295 divulgados hoje. A pesquisa da Capes não
inclui alunos de cursos de especialização lato sensu, como MBAs.
A pós-graduação tem sido considerada um eixo prioritário para o governo federal na formação de profissionais visando incentivar a política industrial.
Por isso, segundo o presidente da Capes, o órgão obteve um acréscimo de 30% nos recursos para este ano. Com isso, está oferecendo 1.653 bolsas novas, beneficiando no total 25,4 mil alunos.
Em 2005, o orçamento da Capes está previsto em cerca de R$ 468 milhões, além de outros R$ 110 milhões para pagamento de bolsas no exterior.
Mas, mesmo com o aumento de matrículas em mestrado e doutorado nos últimos anos, o Brasil ainda tem o desafio de duplicar o número de doutores.
Segundo o Plano Nacional de Pós-Graduação, divulgado em janeiro pela Capes, a meta é aumentar de 8.000 para 16 mil o número de doutores titulados ao ano até 2010.

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