Portugueses protestam contra violência no Timor Leste
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terça-feira, 07 de setembro de 1999
Por Jair Rattner 
Lisboa, 08 (AE-AP) - Uma manifestação em Lisboa pedindo a intervenção de tropas da Organização das Nações Unidas (ONU) para conter os massacres em Timor Leste reuniu dez vezes o número esperado de participantes.
"Pretendíamos um cordão humano de dez quilômetros, o que necessitaria de 40.000 pessoas. Mas no final, tivemos cerca de 300.000 participantes", afirmou Pedro Dionísio, da Comissão para os Direitos do Povo Maubere.
O cordão humano uniu as embaixadas dos cinco países membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU - China, Estados Unidos, França Grã-Bretanha e Rússia -, passando também pela representação da organização em Lisboa. Prevista para durar 15 minutos, a manifestação acabou levando mais de uma hora.
Nas ruas de Lisboa, davam-se as mãos desde figuras conhecidas, como o primeiro-ministro Antonio Guterres, até gente que nunca participou de manifestações.
"Estamos aqui porque estão matando o povo de Timor e é necessário que isso seja conhecido", afirmou o cantor Paulo de Carvalho. "É preciso mandar para lá tropas para pôr cobro à chacina", dizia a engenheira Clara Cidade.
Até mesmo a representante da Anistia Internacional pedia a intervenção das forças da ONU. "Apesar de não sermos apologistas de soluções militares, estamos aqui para exigir o envio dos capacetes azuis já. O que se diz é que há 200.000 deslocados para Timor Ocidental", afirmava Margarida Travassos, do grupo de Timor da seção portuguesa da Anistia.
Com uma bandeira do Brasil, a médica paulistana Vera Lúcia Oliveira dizia: "A ONU até agora não fez nada. Acho que o que está acontecendo lá é inconcebível."
Ex-guarda-costas do líder independentista José Alexandre "Xanana" Gusmão, o timorense Antônio Campos falava da situação na ex-colônia portuguesa. "Dili está vazia. Há muitos mortos."
Com 19 anos, o refugiado timorense Tony da Costa tinha a bandeira da independência de Timor pintada no nariz e carregava um cartaz dizendo: "Assassinos indonésios fora de Timor".
Há um ano e meio em Portugal, preocupava-se com seus parentes que estavam em Dili: "Tenho minha mãe e minhas irmãs lá e há uma semana não sei delas."
A solidariedade chegou à seleção portuguesa de futebol. O time entrou em campo para a partida contra a Romênia, válida pelas eliminatórias da Eurocopa de 2000, levando nos uniformes sinais de luto.
Segundo Luísa Teotônio Pereira, depois do sucesso da manifestação, o caminho será fazer a mensagem chegar a outros países. "Pretendemos alertar a opinião pública internacional para a necessidade de forças da ONU."


