Portugueses foram enterrados vivos
PUBLICAÇÃO
domingo, 26 de agosto de 2001
Kamila Fernandes<BR>Agência Folha<BR>De Fortaleza, CE 
Os seis empresários portugueses mortos em Fortaleza foram enterrados vivos. Essa é a conclusão do laudo do IML (Instituto Médico Legal), que foi divulgado no sábado. Ainda segundo o laudo, um deles, inclusive, teria boas chances de sobreviver se fosse socorrido, pois foi asfixiado momentaneamente.
O documento informa ainda que dois dos seis empresários levaram tiros que atravessaram a cabeça e os demais foram espancados e tiveram diversas fraturas e traumatismos em órgãos vitais. Cinco deles estavam com as mãos amarradas e apresentavam marcas nos pulsos que indicam quetentaram se soltar mesmo depois de enterrados.
''Eles foram enterrados conscientes'', disse o médico legista Francisco Simão. Segundo ele, foi possível perceber que eles estavam vivos ao serem enterrados porque havia areia nos pulmões dos empresários, o que os asfixiou. Isso não teria acontecido se eles já estivessem mortos.
Os corpos de Antônio Correia Rodrigues, 42, Vítor Manuel Martins, 53, Joaquim Silva Mendes, 52, Joaquim Manuel Pestana, 49, Manuel Joaquim Barros, 55, e Joaquim Fernandes Martins, 57, serão liberados para o enterro em Portugal nos próximos dias. A Polícia Federal descobriu que eles estavam enterrados na cozinha da barraca Vela Latina, na Praia do Futuro, em Fortaleza, na última sexta-feira, 12 dias depois de terem desembarcado no Brasil e desaparecido. Ontem pela manhã, o português Luís Miguel Melitão Guerreiro, que atraiu os turistas para Fortaleza, confessou ter sido o mentor dos assassinatos. O último suspeito de ter planejado o crime foi preso ontem. É Manoel Lourenço Cavalcante, o Cláudio, cunhado de Guerreiro. Ele nega seu envolvimento.
Os demais envolvidos são os seguranças Leonardo Souza Santos, Jurandir Pereira Ferreira e Raimundo Martins.


