São Paulo, 10 (AE) - A Portugal Telecom (PT), que, no Brasil, controla a Telesp Celular e detém participações na CRT (Companhia Riograndense de Telecomunicações), acha que sua própria valorização defenderá a empresa de uma tentativa de aquisição hostil. Em entrevista ao jornal português Diário de Notícias, o presidente Murteira Nabo, admitiu que, por ser uma empresa de pequena porte pelos padrões globais, a Portugal Telecom seria um alvo potencial de "ataque" de uma grande operadora. Mas, acrescentou, "hoje é mais caro comprar a PT do que há alguns meses".
As ações da empresa acumularam fortes altas esta semana na expectativa de uma oferta de aquisição. Na terça-feira, os papéis fecharam com alta de 19%. Esta manhã, as ações subiam 2 7%, revertendo a queda momentânea causada pelo desmentido, pela empresa, de que uma companhia brasileira de Internet estaria prestes a adquirir uma participação na sua unidade PT Multimedia. Segundo o Diário Económico, de Lisboa, o Grupo UOL estaria negociando a compra de 10% da PT Multimedia, num negócio estimado em US$ 687 mil pela cotação das ações da empresa portuguesa na terça-feira. Ontem, ao anunciar em São Paulo os planos para o próximo lançamento de um portal em Portugal, o presidente do Grupo UOL, Luís Frias, negou qualquer informação sobre aquisição.
Como parte da estratégia para evitar um ataque das grandes operadoras, que poderia significar a perda de controle, Murteira disse que a Portugal Telecom tomou a iniciativa de selecionar parceiros para seu processo de consolidação. Segundo ele, a espanhola Telefónica, a France Telecom, a British Telecom e a Telecom Itália estão entre as empresas interessadas na parceria. No caso da Telefónica, as discussões seriam sobre uma ampliação da associação já existente, pela qual a PT detém 1% do capital da empresa espanhola, enquanto esta possui 4,5% do capital da companhia portuguesa.
Sobre o processo de consolidação da Portugal Telecom, Murteira Nabo disse ao Diário de Notícias que já foram selecionados dois bancos internacionais que apresentarão os possíves cenários para a empresa incluindo fusão, associação ou parcerias em áreas específicas. Os resultados do estudo dos bancos deverão ser discutidos em Assembléia de Acionistas no dia 21 de abril próximo.