Portugal retira freira brasileira da Guiné De Jair Rattner, Especial para a AGÒNCIA ESTADO
Lisboa, 11 (AE) - Aproveitado o cessar-fogo na guerra civil da Guiné-Bissau, o governo português retirou uma brasileira que se encontrava no país.
Trata-se da freira gaúcha Nívea Soleiro, que foi para Lisboa num vôo humanitário junto com 24 portugueses, 11 guineenses e um italiano.
"Cheguei à Guiné em 29 de janeiro e no dia 31 reiniciou a guerra civil", conta Nívea, nascida em Veranópolis há 53 anos. Ela é superiora geral da ordem das Irmãs Franciscanas de Nossa Senhora Aparecida, que tem duas missões no país. "Eu tinha ido ver como estavam as quatro freiras que nós temos lá".
As Irmãs Franciscanas mantêm missões em duas cidades do interior, Cacheu e Cachungo, que ficam a cerca de 70 quilômetros da capital, Bissau. "Nas missões, nós chegamos a escutar os tiros, mas não vimos os combates".
Para Nívea, o grande problema enfrentado agora na Guiné-Bissau é o dos refugiados. "Quando saí do Cachungo para o aeroporto, vi uma fila de 10 a 12 quilômetros de pessoas fugindo da capital, carregando tudo o que podiam. Eram homens, mulheres e crianças levando até colchões na cabeça".
Uma das refugiadas com quem Nívea conversou em Cachungo tinha andado 70 quilômetros fugindo dos conflitos. "Ela era muçulmana, mas ela ficou alojada na missão".
A fuga da capital acontece apesar de estar em vigor um cessar fogo, intermediado pelas forças nigerianas da Ecomog - uma força da Comunidade de Estados da áfrica Ocidental. "As pessoas viram tantas promessas falharem que não acreditam que agora vai vir a paz".
Segundo Nívea, as quatro freiras da sua ordem religiosa optaram por não sair do país. "Elas disseram que não iam sair porque este é o momento de ajudar as pessoas. A população veio pedir para não tirarmos as freiras".
Neste momento, uma das funções das freiras é distribuir alimentos entre os refugiados. Cachungo e Cacheu, duas cidadezinhas que normalmente têm menos de 1.000 habitantes cada uma, estão com 10.000 a 12.000 pessoas. Grande parte está no caminho para suas terras de origem.
As quatro freiras que permaneceram na Guiné-Bissau são Elsa Menegati, de 52 anos, Isadoria Campagnaro, de 53, Teresinha Batisti, de 41 e Ines Piccolo, de 32 - todas gaúchas. Em outras cidades do interior há mais religiosos brasileiros, que também optaram por ficar no país.
As Irmãs Franciscanas foram convidadas pelo bispo do país a abrir uma missão na Guiné-Bissau em 1985. Elas trabalham nas duas localidades desde 1988, em catequese, formação dos jovens e orientação às mulheres.
Neste momento, mais duas freiras estão em Porto Alegre esperando que a situação se acalme para viajar para o país.





