Lisboa, 17 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso não conseguiu fazer com que Portugal tomasse uma posição contrária aos subsídios agrícolas europeus. Hoje, no final da reunião de cúpula com o presidente, o primeiro-ministro português, Antônio Guterres, optou por não se comprometer com a proposta brasileira: "Não está em causa desmantelar a política agrícola comum. O que está em causa em relação às negociações entre o Mercosul e a União Européia é a Europa ter abertura aos ajustamentos indispensáveis para ter em conta os interesses do Mercosul".
O primeiro-ministro mostrou-se favorável ao pedido brasileiro de que os negociadores europeus na reunião da União Européia com o Mercosul, que vai se realizar em junho no Rio, tenham mandato para poder reduzir os apoios agrícolas na Europa. "Deve haver no plano agrícola, por parte da União Européia, concessões que correspondem às que o Mercosul faz em outras áreas, para que o acordo seja possível. Uma perspectiva de egoísmo e de curto prazo seria uma perspectiva suicida para a Europa na lógica do relacionamento da União Européia". Guterres anunciou que no ano 2000 os investimentos portugueses no Brasil deverão atingir US$ 1,5 bilhão. "Isso demonstra a confiança de Portugal na economia brasileira e no seu futuro".
O presidente brasileiro voltou a cobrar da União Européia uma abertura nas negociações, como única forma de ter um papel relevante no plano político internacional: "A Europa está num momento em que terá de se definir. Será uma Europa equilibradora do ponto de vista das relações internacionais ou será uma Europa unida pela região mas ainda tímida no exercício do seu papel em termos globais".
A reunião do Rio deverá negociar a formação de uma zona de livre-comércio entre o Mercosul e a União Européia. A recusa européia em reduzir os subsídios agrícolas é considerada o principal empecilho para o acordo. "No Mercosul somos partidários de blocos regionais abertos. Esperamos que a Europa assuma o seu papel no sentido do intercâmbio comercial crescente", disse o presidente.

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