Portugal e China acertam detalhes de transferência de Macau
Lisboa, 26 (AE-AP) - Os presidentes da China, Jiang Zemin, e de Portugal, Jorge Sampaio, anunciaram hoje (26) ter chegado a uma série de acordos sobre as poucas divergências que os dois governos mantinham em relação à transferência de soberania de Macau - de Lisboa para Pequim -, marcada para 20 de dezembro.
Ao lado de um sorridente Jiang, que iniciava a primeira visita de um líder chinês a Portugal em 15 anos, Sampaio anunciou que chefiará pessoalmente a delegação portuguesa à cerimônia que marcará a devolução do território à China.
O anúncio foi feito após uma breve reunião com Jiang. O líder chinês reiterou, logo depois, que as conversas com Sampaio tinham sido "francas e amigáveis".
"Nossa reunião foi positiva. Nós (Portugal e China) dividimos visões semelhantes sobre muitas coisas", discursou Jiang, com o auxílio de um intérprete.
Uma das principais discordâncias entre os dois países sobre a retirada portuguesa de Macau dizia respeito à insistência da China em ocupar o território com suas Forças Armadas antes da data marcada para a devolução. De acordo com o ministro das Relações Exteriores de Portugal, Jaime Gama, Lisboa concordou com a presença de uma delegação técnica militar desarmada chinesa que terá como missão preparar a rápida entrada de guarnições em Macau imediatamente após a transferência de poder.
Segundo a argumentação da China, uma onda de crimes causada por máfias locais poderia tomar conta de Macau, caso não houvesse meios para que tropas chinesas ocupassem o território rapidamente.
Macau, território na costa sul da China de 23,6 quilômetros quadrados, com 430 mil habitantes, está sob administração portuguesa há 442 anos. A principal exigência de Lisboa para a devolução é a de que a futura administração chinesa garanta a manutenção do português como uma das línguas oficiais do local.
Jiang encerra sua visita a Portugal amanhã e parte para o Marrocos. Em sua passagem por Lisboa voltou a enfrentar manifestações semelhantes às realizadas na Grã-Bretanha e na França - primeiras escalas de sua viagem de 17 dias ao exterior - contra a violação de direitos humanos na China e a anexação do Tibete.





