Portugal diz que investirá R$ 1 bi no Brasil em 99
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quinta-feira, 15 de abril de 1999
Por Gerson Camarotti e Jair Rattner 
Lisboa, 16 (AE) - O ministro da Economia de Portugal, Joaquim Pinamoura, disse hoje que o País investirá R$ 1 bilhão no Brasil em 1999. "Vai ser um ano de investimento muito intenso", disse Pinamoura. "E esses investimentos serão em todas as áreas: bancos, supermercados, eletricidade e telecomunicações."
O primeiro compromisso de Fernando Henrique em Lisboa foi uma audiência concedida ao presidente da Portugal Telecon, Francisco Murteira Nabo. "Estamos muito satisfeitos com os investimentos no Brasil e temos a intenção de continuar investindo no País", disse Murteira Nabo. A Telecon foi a empresa portuguesa que mais investiu no Brasil no ano passado, com US$ 3,6 bilhões para a aquisição do controle acionário da Telesp Celular, além de participações na Telesp fixa, na Embratel e na CRT (RS).
No final da tarde, Fernando Henrique visitou a sede da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa. Em discurso na CPLP, disse que "o presidente brasileiro tapeia em vários idiomas, mas o único idioma em que se sente realmente à vontade é o português".
Na saída, ele voltou a demonstrar preocupação com a guerra civil na Angola e com a situação de Timor-Leste, ex-território português que luta para ficar independente da Indonésia. Em entrevista veiculada hoje pela televisão portuguesa SIC, Fernando Henrique admitiu a possibilidade de enviar tropas para Timor, desde que tenha autorização das Nações Unidas. "Já fizemos isso no caso de Angola e temos o interesse direto em manter uma presença forte dos países da comunidade de língua portuguesa unidos", disse. A declaração foi interpretada como uma reação às críticas sobre a pouca atuação do Brasil em favor de Timor-Leste.
Na IV reunião de cúpula bilateral que acontece amanhã (17) pela manhã em Lisboa, o primeiro ministro português, António Guterres, deverá cobrar de Fernando Henrique apoio para o envio de observadores das Nações Unidas ao local. Isso porque na semana passada foram assassinadas 49 pessoas no Timor por forças paramilitares do Exército da Indonésia. Prevendo a cobrança, Fernando Henrique se antecipou. "Ninguém gosta de justiça pelas próprias mãos", criticou o presidente. "A ONU devia ter preventivamente uma atitude mais firme", completou.


