Portugal celebra 25 anos da Revolução dos Cravos De JAIR RATTNER, Especial para a AGÒNCIA ESTADO
Lisboa, 24 (AE) - Às 0h20 do dia 25 de abril de 1974, a Rádio Renascença, de Portugal, tocou uma música proibida: Grândola, Vila Morena, de Zeca Afonso. Era a senha para o início do movimento dos capitães, que ficou conhecido como a Revolução dos Cravos. Após 48 anos de ditadura, Portugal estava voltando a ter um regime democrático.
O movimento aparece para os portugueses com um programa que se definia por três Ds: Democratização, Descolonização e Desenvolvimento. A revolta militar foi uma consequência dos 13 anos de guerra colonial, em que os portugueses enfrentaram os movimentos de libertação nas suas colônias: Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Timor Leste.
Era uma revolta esperada, especialmente depois do levantamento militar de 16 de março de 1974 - quando oficiais de vários quartéis se amotinaram para impedir que os generais Antônio de Spínola e Costa Gomes fossem exonerados.
O período revolucionário português foi dividido em três momentos. Até 11 de março de 1975, quando não se sabia direito quem detinha o poder no país. Nessa data, o general Antônio Spínola tenta um golpe de direita, provocando uma reação contrária: inicia-se o período chamado de Verão Quente.
Foi depois do 11 de março que ocorreram as nacionalizações dos bancos, das principais indústrias, dos meios de comunicação, e que foi feita a reforma agrária. Também é esse o período em que as ex- colônias conquistam as suas independências. O Verão Quente teve consequências para o Brasil. Cerca de 500 mil portugueses, a maior parte ligados às elites anteriores ao 25 de abril, optam por procurar refúgio no Brasil.
O período revolucionário termina em 25 de novembro, quando um grupo de militares do Movimento das Forças Armadas tenta um novo golpe - de esquerda - que fracassa. A revolução portuguesa é considerada como o início de uma vaga de democratização que atingiu primeiro a Espanha e depois a América Latina.





