Rio, 17 (AE) - Pelo menos 300 portuários destruíram a sala do àrgão Gestor de Mão de Obra (Ogmo), no Armazém 18 do cais do porto, incendiaram banheiros químicos e fecharam a Avenida Rodrigues Alves, hoje pela manhã, em protesto contra a gerência do armazém, que não removeu o corpo do estivador Alvacir Roque do Nascimento, de 41 anos, morto dentro do depósito na noite de ontem (16). O secretário estadual de Segurança, coronel Josias Quintal, passava pelo local e acalmou os manifestantes.
Os primeiros portuários chegaram para trabalhar antes das 6 horas da manhã e se depararam com o corpo de Nascimento, sobre o palanque onde são feitos os sorteios de trabalhadores. Eles procuraram o representante do Ogmo, que informou que o órgão não tinha responsabilidade sobre o corpo. A situação ficou tensa e piorou quando soou a campainha para iniciar a escolha dos portuários que trabalhariam nos oito navios aportados no cais.
Manifestantes invadiram a sala do Ogmo, destruindo computadores, estantes, arquivos e as janelas. Revoltados também com as condições sanitárias - a Secretaria Estadual de Saúde instalou 6 cabines portáteis, numa área em que circulam duas mil pessoas -, os portuários incendiaram os banheiros químicos, que foram arrastados para o outro lado da Avenida Rodrigues Alves, fechada ao trânsito.
Negociação - O secretário de Segurança, Josias Quintal, passava pelo local e parou para negociar com os manifestantes. "Ele olhou nossas condições de trabalho e prometeu apurar a morte de Nascimento", afirmou o diretor do Sindicato dos Trabalhadores de Bloco, Max Cruz. A polícia cercou o corpo do estivador e a perícia chegou por volta das 9h30 horas, pouco depois de Quintal deixar o armazém. Segundo informações, Nascimento chegou no depósito no domingo à noite, para dormir, o que não é permitido. Ele não tinha marcas de ferimentos à bala ou facadas e a perícia ainda não determinou a causa da morte.

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