Portões fechados para os poucos alunos que foram às escolas estaduais em Londrina
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quinta-feira, 05 de março de 2015
Celso Felizardo<br> Reportagem Local 
Londrina Em Londrina, todos os colégios estaduais amanheceram com os portões fechados, muitos com faixas e cartazes de greve. Os poucos alunos que arriscaram ir para as escolas tiveram que voltar para casa. De acordo com o presidente da APP Sindicato em Londrina, Márcio André Ribeiro, como o sindicato não recebeu a notificação da Justiça determinando o retorno imediato das aulas, os educadores seguiram com a greve como decidido em assembleia em Curitiba, na quarta-feira.
A demora no retorno das aulas tem causado ansiedade entre os alunos. Sulivan Barros dos Santos, de 16 anos, moradora do Chefe Newton, Zona Norte de Londrina, tem como objetivo passar no concorrido vestibular de Direito da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Para isso, ela depende exclusivamente das aulas do terceiro ano do Ensino Médio, já que não tem condições de arcar com cursinhos ou uma escola particular.
Ao contrário da irmã mais nova, que está curtindo as "férias prolongadas", Sulivan não vê a hora de retornar para a escola. "Tenho me dedicado muito aos estudos nos últimos anos e não esperava ter que lidar com um problema desse bem no último e mais importante ano escolar", lamentou.
Ela disse que considera justas todas as reivindicações dos professores, porém não acha certo que os estudantes paguem a conta. "Acho que pelo menos os terceirões deveriam ter as aulas mantidas, é uma questão de bom senso", analisou. À espera das aulas, ela faz leituras diárias de apostilas do ano anterior para assimilar melhor o conteúdo. "É para dar uma relembrada, senão você chega despreparado no colégio", explicou.
A irmã mais nova, Amanda, de 13 anos, que estuda no Colégio Estadual Vicente Rijo, no Centro, aproveita o tempo livre, mas sabe que vai ter que compensar depois. "É bom que sobra um tempo para brincar. Mas se ficar muito tempo sem aula, vamos ter que estudar no fim de semana depois, o que não é bom", opinou. As meninas moram com a irmã mais velha, Carolina Barros, de 26 anos. A preocupação é visível no semblante dela. "Não tem mais como essas meninas ficarem em casa. Precisam estudar", afirmou.
Já Ana Beatriz, de 12 anos, mora em frente ao Colégio Estadual Professora Roseli Piotto Roehrig, no Conjunto José Giordano (Zona Norte), onde estuda. Os cadeados nos portões anunciaram mais um dia em casa. "É bom ficar em casa, mas chega uma hora que cansa também", comentou.
A mãe da garota, Fabiana Garcia de Freitas, de 36 anos, declarou apoio total à greve dos professores, mas disse torcer para uma definição rápida do impasse. "Tomara que tudo se resolva o mais rápido possível. Além da questão dos estudos, é muito difícil segurar essa moçada dentro de casa. E as ruas andam muito perigosas", argumentou.
A chefe do Núcleo Regional de Educação (NRE) de Londrina, Lúcia Cortez, informou que todas as decisões estão sendo tomadas pela Secretaria de Educação e que o núcleo aguarda pelo fim da greve para começar as aulas. Ela contou que tem feito contato com os diretores das escolas e que as equipes pedagógicas têm trabalhado para organizar a distribuição das aulas e dos suprimentos, atualizar o sistema e definir os padrões de aulas. "Seguimos aguardando uma definição, mas temos todas as condições de retomar as aulas na próxima semana", garantiu. O NRE abrange 125 escolas em 19 municípios, 72 delas em Londrina.


