Em meio a uma batalha judicial que já dura 21 dias, as 38 mil toneladas de milho transgênico (geneticamente modificado) de procedência argentina recomeçaram a ser descarregadas anteontem à noite no, Porto do Recife. A operação continuou normalmente por todo o dia de ontem. De acordo com o encarregado de operações do Porto, Roberto Abreu, aproximadamente 3 mil toneladas foram retiradas do navio Norsul Vitória e colocadas em silos e vagões da Companhia Ferroviária Nordestina. Por enquanto, o produto não saiu das dependências portuárias.
A novela do libera/não libera o milho transgênico ainda não terminou. O Ministério Público Federal pretende entrar com recurso contra a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) de liberar o milho, concedida na sexta-feira (07) à noite. Um outro recurso, contra o Tribunal Regional Federal-5.região - também favorável à entrada do produto no País - está tramitando na Justiça Federal. Em discordância ao entendimento do TRF-5ª região e do STJ, o TRF- 1ª região, do Distrito Federal, determinou, em sentença genérica, a proibição da importação e comercialização de produtos transgênicos sem anteriores estudos do impacto que os artigos geneticamente modificados podem causar sobre o meio-ambiente e a saúde humana.
O milho transgênico foi comprado por avicultores pernambucanos com a intermediação da Cargill Agrícola S.A. Segundo o presidente da Associação dos Avicultores de Pernambuco (Avipe), Marcondes Farias, houve quebra da safra nacional de milho e somente Pernambuco vai precisar importar 300 mil toneladas do produto neste ano. A proibição da entrada do milho transgênico levou os empresários do setor a fazer um protesto em que foram distribuídos 20 mil frangos com a população.

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