Porto Feliz celebra descobrimento com encenação de monção
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quinta-feira, 20 de abril de 2000
Por José Maria Tomazela 
Porto Feliz, 21 (AE) - Dois séculos depois do descobrimento, vencidos os obstáculos da Serra do Mar e alcançado o planalto de Piratininga, portugueses e brasileiros empenharam-se na abertura de rotas terrestres e fluviais para "descobrir" o Brasil por dentro. As monções, como se chamavam essas expedições, iniciadas no Rio Tietê, foram decisivas para a consolidação do atual território brasileiro. Uma das mais famosas, a do sargento-mór Teotônio José Juzarte, será revivida amanhã (22), em Porto Feliz, a 120 quilômetros de São Paulo, como parte das comemorações dos 500 anos do Descobrimento.
Cerca de 500 atores e figurantes, em trajes da época, vão relembrar a chegada dos barcos pelo Rio Tietê no Porto de Araritaguaba, nome antigo de Porto Feliz. O evento ocorreu em 1769 quando a então freguesia tinha apenas 1.500 habitantes, como o próprio Juzarte registrou em seu diário de navegação.
A encenação, dirigida pelo teatrólogo Emílio Fontana Filho, começa às 15 horas, com a chegada das canoas no Parque das Monções. O espetáculo prosseguirá pelas ruas do centro. A expedição de Juzarte foi uma das últimas grandes monções que tiveram Porto Feliz como ponto de partida e de retorno. Há registros de dezenas dessas expedições, entre os séculos 17 e 18
quando foram descobertas as minas de ouro de Cuiabá.
As viagens duravam até seis meses e percorriam 3.500 quilômetros por rios e trechos em terra. Entre as principais, a do governador da capitania de São Paulo, Rodrigo César de Menezes, reuniu 3 mil integrantes em 23 batelões - barcos de madeira - em 1726. Em 1825, o Barão de Langsdorff, na primeira expedição científica, levou 223 dias para chegar a Cuiabá.
Porto Feliz reuniu documentos, mapas e diários dessas navegações no Arquivo Histórico Municipal, inaugurado esta semana. A maior parte da documentação foi resgatada pelo historiador Jonas Soares de Souza, da Universidade de São Paulo (USP), na Biblioteca Nacional de Lisboa e na Biblioteca Pública de Évora, em Portugal. O diário de navegação de Juzarte, transformado em livro e editado pela USP, está sendo lançado hoje.


