São Paulo, 28 (AE)- A Companhia Docas do Estado de São Paulo e um grupo de ferrovias formado pela Ferroban, Ferropasa e MRS Logística devem fechar contrato, até maio, para a terceirização das operações ferroviárias dentro do Porto de Santos. O objetivo é melhorar o acesso ao porto, onde as operações ferroviárias são dificultadas em função de limitações da malha existente hoje. Para isso, o pool de ferrovias deve fazer investimentos, cujo volume ainda está em estudo pelas duas partes, em melhorias na via permanente (trilhos) e na capacidade de transportes (número de vagões). Em troca, o pool vai explorar a operação ferroviária no porto por um período inicialmente estimado de 20 anos.
De acordo com o diretor-presidente da Codesp, Wagner Rossi, as melhorias a serem feitas na malha ferroviária do porto
que soma 200 quilômetros, incluem, entre outros, a troca de trilhos, para que suportem vagões de maior tonelagem, a construção de um novo pátio de manobra para os trens e de pêras de retorno para permitir manobras de ida e volta dos trens. A intenção com essas melhorias é permitir o acesso dos trens ao corredor de exportação do porto, incrementando assim a capacidade de Santos de receber vagões graneleiros.
Além disso, a expectativa é reduzir o tempo das operações ferroviárias no porto, que hoje levam três a quatro dias, para um dia. Segundo o presidente da Codesp, a operação ferroviária no porto é deficitária em R$ 18 milhões/ano, mas com as melhorias e à medida em que a movimentação na malha ferroviária do porto crescer, a expectativa é obter "um pequeno superávit". A avaliação é que o ganho comercial e operacional decorrente das melhorias vai levar a uma maior movimentação no porto.
Com as melhorias na malha ferroviária dentro do porto, a meta é elevar para 10% o percentual das cargas que chegam ao local por ferrovia ainda este ano. No ano passado, esse percentual foi de 4,6% e em 98, de 3,8%, de acordo com o presidente da Codesp. Ele afirmou que o patamar histórico atingido pelo porto ocorreu no início da década de 90, quando 10% a 12% das cargas chegavam a Santos por ferrovia. Rossi disse ainda que a movimentação de cargas deve aumentar em decorrência das mudanças que vão ocorrer no porto. Em 99, a movimentação alcançou 42,6 milhões de t, e a expectativa é atingir 45 milhões de t este ano.
O diretor comercial da Codesp, Fernando Viana, disse que as melhorias na malha ferroviária do porto devem significar uma redução da ordem de 25% nos custos com frete para o consumidor final, isto é, exportadores e importadores, ainda em 2000. No caso dos produtos destinados à exportação, essa redução no frete deve gerar um aumento de competitividade, com queda de 2% a 3% nos preços. À medida em que houver ganhos de escala, tanto a redução do frete quanto a dos preços dos produtos de exportação devem se ampliar, segundo ele. Para o diretor-presidente da Codesp, Wagner Rossi, a disputa pelo mercado do Centro-Oeste deve ser reforçada com a ampliação do acesso ferroviário em Santos. Ele considera que o fato de Santos estar a apenas 70 quilômetros de São Paulo, o principal centro consumidor do País, dificulta a competição com o porto paulista.
Ferroviários - Juntamente com o projeto de terceirização da operação ferroviária em Santos, a Codesp criou um programa de demissão incentivada para os funcionários que trabalham na ferrovia dentro do porto. Eles são, no total, 300 trabalhadores. Desses, 100 vão se aposentar, segundo Wagner Rossi, e os outros 200 vão aderir ao programa de demissão incentivada e devem ser contratados posteriormente pelo pool de empresas que vai operar a malha ferroviária no porto.
Outros 300 funcionários de outras áreas do porto também devem aderir ao programa de demissão incentivada, de acordo com Rossi. Hoje, o porto tem 1.950 funcionários, e a meta é reduzir esse número a 1.100.
Além da terceirização das operações ferroviárias no porto, a Codesp está investindo numa "política agressiva para buscar cargas", segundo o diretor-presidente, Wagner Rossi. Dentro dessa política, está a implantação de terminais privados no porto e o estímulo para que as empresas que arrendam os terminais operem também com cargas de terceiros. Atualmente, o porto de Santos tem 24 terminais privados e 29 estão sendo colocados em concorrência.
O diretor-presidente da Codesp diz que a melhoria da operação ferroviária em Santos abre a perspectiva de arregimentar novas cargas e deve favorecer as exportações de soja e farelo de soja pelo porto paulista, onde o principal produto de exportação tem sido o açúcar.
De acordo com a Codesp, ano passado, foram exportados pelo Porto de Santos 2,560 milhões de t de soja grão e 1,247 milhão de t de farelo de soja. Este ano, a perspectiva é de que esses números sejam ampliados, também em função da chegada da Caramuru Alimentos ao porto, que vai dividir com a Citrosuco o armazém 40 no corredor de exportação.

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