Porto de Santos perde carga para terminais menores
Porto de Santos perde carga para terminais menores16/Mar, 15:17 Por Paula Puliti e Renata Stuani São Paulo, 16 (AE) - O porto de Santos, maior e mais caro do País, corre o risco de perder carga para os portos de Paranaguá (PR), Itajaí (SC) e São Francisco do Sul (SC), segundo um executivo da área de logística de um dos principais terminais de cargas de Santos. Paranaguá, por exemplo, já estaria "roubando"carga de São Paulo com instrumentos da guerrra fiscal. O coordenador-executivo do Comitê de Usuários dos Portos do Estado (Comus), José Cândido Senna, explica que incentivos fiscais, como a ampliação do prazo para pagamento do ICMS, podem atrair os importadores. Resultado da guerra fiscal, esse benefício permite que o importador venda sua mercadoria, faça caixa e só depois pague o imposto. Além da disputa na área de impostos, Santos está sofrendo a concorrência dos chamados portos secos - Estações Aduaneiras do Interior (Eadis). As Eadis são terminais de carga alfandegados que têm investido na oferta de serviços para as empresas e oferecem menores custos do que os terminais portuários para determinadas cargas. "Para atrair clientes, as Eadis estendem o prazo de pagamento ao máximo e oferecem pacotes de serviços logísticos para diminuir os custos dos clientes", disse. No Paraná, os portos secos de Maringá e Londrina têm atraído clientes que antes seguiam para os terminais portuários de Paranaguá e Santos. Senna ressalta, entretanto, que apesar das vantagens oferecidas por outros portos, Santos ainda é o porto melhor estruturado do País, com embarcações para todos os cantos do mundo, melhores instalações e melhores equipamentos portuários. Por isso, ainda cobra taxas mais altas. Além disso, o preço do frete rodoviário pesa na hora de o empresário optar entre ficar em Santos ou utilizar um porto mais distante, porém mais barato. Muitas vezes, a opção por Santos ainda é vantajosa. Santos já teve grandes ganhos de produtividade, cerca de 175% entre 1996 e 1999 nos trechos do armazém 12A a 23, e queda de custos desde a privatização. Um dos principais gargalos para a redução nos preços é o alto custo da mão-de-obra do porto, em razão das exigências do àrgão Gestor de Mão de Obra (Ogmo) para a contratação de trabalhadores avulsos. A operação de um contêiner, que pode ser feita por três pessoas em portos modernizados, em Santos é feita por até 60. Um exemplo dos ganhos de Santos desde a privatização foi a crescente modernização do Terminal de Contêineres (Tecon) de Santos. Os custos em dólares para os clientes do Tecon caíram 30% na armazenagem e 50% na operação das cargas desde que a operadora privada assumiu o terminal, em outubro de 1997. O Tecon operava 11 contêineres por hora em 97 e atualmente consegue operar 33, o triplo da velocidade. Antes da privatização, os navios aguardavam em média 22 horas para atracar. Agora, a espera é de 1h50, em média. O custo de movimentação do contêiner no Tecon caiu de US$ 500 e US$ 600 em 95 para os atuais US$ 220 a US$ 250. Só de 1997 para cá, a redução foi de 35%. Mesmo com as melhorias, o custo está ainda alto em relação ao Porto de Buenos Aires ou outros portos do Brasil, que cobram US$ 150.





