Curitiba- Salvo mudanças de última hora, durante 30 dias ou mais, contados a partir do próximo dia 23, não será aconselhável andar armado. A partir dessa data vencem os portes de arma em vigor e quem quiser pedir nova autorização ficará de mãos atadas. Primeiro porque uma série de regras previstas no Estatuto do Desarmamento ainda dependem de regulamentação. Segundo que, caso a os agentes da Polícia Federal (PF) mantenham a greve, não haverá quem faça a emissão de novos documentos. A nova legislação estabelece que somente a PF será responsável por isso.
Segundo o titular da Delegacia de Explosivos, Armas e Munições, Guaracy Hoffmann de Andrade, no Paraná há cerca de 4 mil portes de armas expedidos pela Polícia Civil.
A comissão interministerial só deve concluir os trabalhos de regulamentação do Estatuto do Desarmamento no dia 5 de abril. Depois disso, o relatório ficará disponível para consulta pública para receber críticas e sugestões durante 15 dias. O texto final passará por análise da assessoria jurídica do Palácio do Planalto e depois será encaminhado para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinar o decreto.
Não há, por enquanto, previsão por parte do governo federal de estender o prazo para o cancelamento dos portes de arma vigentes, mesmo as pendências a serem regulamentadas. A informação é da assessoria de imprensa do Ministério da Justiça, que assegurou que a greve caso se prolongue após a regulamentação não afetaria a emissão dos novos portes. Segundo o ministério, os funcionários da área administrativa da PF é que ficarão responsável pelo portes de arma e eles não teriam aderido à greve.
A informação é contestada pelo presidente do Sindicato dos Policiais Federais do Paraná, Naziazeno Florentino Santos Júnior, que integra o comando de greve. Segundo ele, no Paraná, só permanecem trabalhando os delegados e peritos, que já ganham o salário pleiteado pelos grevistas. Portanto, a emissão de portes ficará prejudicada.
O agente federal garante que não há a menor chance de um esquema especial para atendimento porque a emissão de porte não deverá ser considerada essencial. O comando de greve decidiu manter apenas a emissão de passaportes, a fiscalização nos aeroportos, a condução de presos para oitivas e a manutenção das carceragens.
O governo paranaense também instituiu uma legislação própria, incentivando o desarmamento. As pessoas que entregam, voluntariamente, as armas mesmo as que não possuem registro recebem um prêmio de R$ 100,00, mesmo valor pago a policiais civis e militares pelas apreensões de armas ilegais. Até anteontem, o número do governo era de 3.750 armas entregues e 545 apreendidas. Cerca de 1,8 mil paranaenses já estão recebendo o prêmio. Segundo o delegado, entre 70% e 80% das armas entregues não têm registro.

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