Buenos Aires, 19 (AE) - "Você está de acordo que, contra o que a Constituição dispõe, Carlos Saúl Menem tente ser reeleito presidente do país?" Um milhão e meio de portenhos responderão a essa pergunta no dia 28. E ela é a base do plebiscito convocado pelo prefeito de Buenos Aires, Fernando De La Rúa, que também é o candidato à presidência do país pela Aliança Opositora, coalizão formada pela União Cívica Radical (UCR) e Frente para um País Solidário (Frepaso).
"Essa consulta carece de sentido", reagiu, irritado o ministro do Interior, Carlos Corach, sustentando que a pergunta em si já induz o eleitor a votar "não".
A consulta portenha foi convocada pela oposição para tentar pôr fim à movimentação política para alterar a Constituição para que Menem possa apresentar-se como candidato à segunda reeleição, proibida pela Carta.
Será o primeiro teste direto da administração Menem desde que ele foi reeleito presidente, em 1995. Em 1997, numa eleição para renovar dois terços do Congresso, a então recém-criada coalizão de oposição venceu o Partido Justicialista (peronista), de Menem.
A derrota, sem precedentes para um partido que jamais tinha perdido uma eleição enquanto estava no poder (os peronistas foram sempre removidos do governo por golpes militares), não abalou o presidente diretamente, uma vez que, astutamente, Menem desviou o fracasso para seus subordinados no peronismo.
Além do plebiscito na capital, Menem passará pelo teste de uma segunda consulta popular, na Província de Buenos Aires, onde se concentra um terço do eleitorado do país. Esse plebiscito foi convocado pelo governador Eduardo Duhalde, pré-candidato do peronismo à presidência do país, e inimigo político de Menem.
A consulta na província ainda não tem uma data definida, mas deve ocorrer entre 18 de abril e 2 de maio. A idéia de Duhalde é afastar Menem definitivamente da disputa, para poder apresentar-se como o candidato indiscutível do peronismo à presidência.
A assinatura do decreto que estabelece a consulta deve ocorrer logo após o anúncio do resultado da eleição para o governo da Província de Catamarca, que se realiza no domingo. O candidato peronista é um velho protegido de Menem, mas está 10 pontos porcentuais atrás do candidato da oposição nas pesquisas.
Para o presidente, uma vitória ali serviria como trunfo para lançar oficialmente sua reeleição. Duhalde, mesmo sendo peronista, seria favorecido com a derrota do político menemista e aproveitaria o evento para anunciar a data do plebiscito.
Os plebiscitos só têm caráter de consulta, sem efeito de lei. Menem tentou desafiar Duhalde e a Aliança Opositora a realizar um plebiscito vinculante, ou seja, com consequências jurídicas. Para realizar uma consulta capaz de modificar as leis atuais, a convocação teria de ser aprovada no Congresso, que ainda não regulamentou a legislação sobre consultas populares.

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