Desfile fez referência a civilizações que iniciaram seus processos de organização social às margens de rios
Desfile fez referência a civilizações que iniciaram seus processos de organização social às margens de rios | Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil



Rio - A Portela sagrou-se campeã do Carnaval do Rio de Janeiro pela 22ª vez na sua história, em um ano marcado por graves acidentes no Sambódromo, que deixaram ao menos 32 pessoas feridas. A escola não vencia havia 33 anos - desde 1984. Sob a batuta do carnavalesco Paulo Barros, a azul e branco falou sobre rios em seu desfile. O enredo fez referência a um dos grandes nomes da escola, Paulinho da Viola, com o título "Foi um rio que passou em minha vida e meu coração se deixou levar", versos de uma de suas mais conhecidas canções.

Civilizações que iniciaram seus processos de organização social às margens de rios nortearam parte do desfile. A escola também fez referência à tragédia na barragem da Samarco, em Mariana (MG), com o carro alegórico "Um Rio que Era Doce".

O título foi decidido no último quesito, Enredo. A agremiação superou a Mocidade Independente de Padre Miguel, que ficou em segundo. A escola campeã só perdeu nota em dois quesitos: Comissão de Frente e Samba-enredo. Mas neste último, a nota acabou descartada (pelas regras, a menor nota dos quatro jurados é descartada). Dessa forma, a Portela garantiu 269,9 pontos dos 270 possíveis. A Mocidade ficou com 269,8. Na sequência, aparecem Salgueiro (269,7) e Mangueira (269,6).

Fundada em 1923, a azul e branco havia ficado em 3º lugar em 2016. Agora volta ao topo do Grupo Especial. O último título da Portela, de 1984, é envolvido em polêmica. Foi neste ano a inauguração do Sambódromo do Rio e a primeira vez que houve desfile dividido em duas noites. Na ocasião, as notas foram separadas e Portela foi considerada a vencedora da primeira noite e Mangueira, do segundo e também de um terceiro desfile, considerado o tira-teima final. Mas a Portela considera o título daquele ano legítimo. Antes disso, a escola havia sido campeã em 1980.

Carro alegórico fez referência à tragédia na barragem da Samarco, em Mariana
Carro alegórico fez referência à tragédia na barragem da Samarco, em Mariana | Foto: Vanderlei Almeida/AFP



ACIDENTES
O desfile das campeãs será no sábado (4). Por uma decisão da Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa), nenhuma escola foi rebaixada neste ano. As últimas colocadas neste ano foram a Paraíso do Tuiuti e Unidos da Tijuca, as duas escolas que registraram acidentes com carros alegóricos.

Os acidentes em carros alegóricos ficaram marcados como dos piores nos últimos 33 anos da avenida, segundo a própria Liesa. O carro da Tuiuti perdeu o controle e atropelou ao menos 20 pessoas no domingo (26). Já no desfile da Unidos da Tijuca, uma parte do carro alegórico despencou e integrantes da escola chegaram a sofrer uma queda de seis metros, na segunda (27).
Somados, os dois acidentes feriram 32 pessoas. Ao menos duas pessoas permanecem em estado grave no hospital e uma terceira ainda passará por cirurgia.

Muito criticada por não ter interrompido os desfiles no momento do acidente, o que teria prejudicado o trabalho de socorro aos feridos, a Liga recebeu vaias no Sambódromo, quando o presidente Jorge Castanheira anunciou a medida.

No ano que vem, portanto, 13 escolas disputarão o Grupo Especial- as 12 atuais e a Império Serrano, que subiu do Grupo de Acesso. Duas escolas serão rebaixadas no ano que vem.

Gritos de "vergonha" foram ouvidos nas arquibancadas, onde o público costuma acompanhar a apuração. A falta de punição é vista por críticos como uma forma de beneficiar escolas que foram imprudentes com as questões de segurança. "Foi uma fatalidade, mas quem errou tem que pagar", disse Neguinho da Beija-Flor.

Segundo o presidente da Portela, Luís Carlos Magalhães, a decisão foi tomada em consenso pelas escolas e que a punição, se ocorrer, será na esfera criminal e não no evento privado do carnaval. Ele classificou os dois graves acidentes como fatalidades.

"Todas as escolas foram a favor. O que aconteceu foi uma fatalidade, uma coincidência", disse. O carnavalesco da Unidos da Tijuca, justamente a escola que teve acidente no desfile, disse que não houve erro da escola. Segundo avaliou, a Liga se "sensibilizou com a tragédia", quando sugeriu o não rebaixamento neste ano. "Não foi erro, o erro tem que ser punido. Foi uma fatalidade. Eu acho que a Liga ficou sensibilizada com essa tragédia", disse o carnavalesco Unidos da Tijuca, Marcos Paulo Oliveira. "A Tijuca não teria ficado em último lugar", disse o presidente da Tijuca, Fernando Horta.

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