Rio, 03 (AE) - A maior dificuldade do carnavalesco da Portela, José Felix, foi resumir, nos 80 minutos do desfile, os quase 500 anos da história de Minas Gerais, dos bandeirantes que fundaram as primeiras cidades à moratória do governador Itamar Franco, passando pelo barroco e a indústria siderúrgica. "A moratória e suas consequências para a economia do País vão ser abordadas de leve, em alegorias, sem críticas ou elogios, no último carro que fala da Minas de hoje", explica o carnavalesco. "Não deu para desenvolver esse assunto porque quando os fatos aconteceram o desfile já estava pronto."
Com o enredo "De Volta aos Caminhos de Minas" a Portela tenta quebrar um jejum de 29 anos sem ganhar sozinha o carnaval do Rio. Portelenses tradicionais, como Surica, pastora da Velha Guarda da escola, não levam em conta o campeonato de 84, dividido com a Mangueira. A escola vai lembrar também de mineiros ilustres,como Pelé, representado numa grande escultura no carro final da escola.
O carnaval da Portela de 1999 vai custar cerca de R$ 1 milhão, mas a escola não estará tão grande como nos anos anteriores. Serão 3,8 mil pessoas, distribuídas em 33 alas. José Felix só não abriu mão do luxo, marca registrada da escola. E ele pegou o bonde andando. O tema foi proposto à Portela por Ilvamar Magalhães, que se afastou em setembro. "Eu já pensava num enredo assim há mais de dez anos e tinha algumas fantasias e carros alegóricos rabiscados", conta Felix. "Por isso deu para fazer tudo a tempo".
São seis carros alegóricoas que contam cronologicamente a história de Minasn Gerais. O primeiro, da águia, chamado de Explosão Barroca, é um resumo de tudo. Este é também o nome da fantasia da Comissão de Frente, da qual faz parte o compositor Paulinho da Viola. Em seguida, vem o carro Floresta de Diamantes
reproduzindo a Gruta de Maquiné, e com destaques fantasiados de bandeirantes. Adriane Galisteu sai na frente desse carro, no chão.
O terceiro carro fala do barroco mineiro e tem Aleijadinho esculpindo um profeta e a atriz Taís de Araújo como Chica da Silva. O folclore, o artesanato e a culinária mineira estão no quarto carro, enquanto o quinto é uma réplica da Maria Fumaça, trem do início do século que circula até hoje entre Ouro Preto e Mariana. Neste carro, está a Velha Guarda da Portela, tendo as cantoras Marisa Monte e Cristina Buarque de Hollanda como convidadas.
O desfile fecha com o carro falando de Minas Gerais hoje, com a reprodução de uma usina siderúrgica e dos campos de agricultura e pecuária do Estado. Os políticos, artistas e outros mineiros ilustres também estarão representados, de Tiradentes a Carlos Drummond de Andrade, sem esquecer Carlos Chagas, Clara Nunes (que será homenageada também pela ala das baianas), Grande Otelo e Ary Barroso.

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