Recife- Avaliação da Defesa Civil de Pernambuco, feita cerca de 12 horas antes do acidente, indicava não haver risco de desabamento do prédio que ruiu anteontem à noite, em Jaboatão dos Guararapes, na região metropolitana do Recife. Uma pessoa morreu e três estão desaparecidas, há três feridos - um em estado grave - e cerca de 150 desabrigados. Assustados com os estalos e estrondos ouvidos desde a terça-feira, os moradores já haviam decidido, na madrugada da quinta-feira, deixar o edifício.
Por causa do desabamento do edifício Areia Branca, de 12 andares e 24 apartamentos, na Avenida Bernardo Vieira de Melo, na Praia de Piedade, prédios e casas vizinhos foram desocupados, por determinação da Defesa Civil, afetando outras cerca de 100 famílias.
A vítima fatal é o porteiro Antônio Félixo dos Santos, de 38 anos. Estão desaparecidos o bombeiro Alcebíades Lins da Silva, de 35 anos, que no seu dia de folga trabalhava como segurança do edifício, e dois prestadores de serviço da empresa Jatobeton,Cícero Júnior Lima e Silva e Ivanildo Martins dos Santos, ambos com 21 anos.
De acordo com o presidente do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea), Telga Araújo, o edifício foi construído há 28 anos pela empresa JB Construções e Empreendimentos Imobiliários, que não existe mais desde 30 de novembro de 1995. Ninguém se arrisca a apontar as causas do desabamento, embora as mais prováveis seriam problemas no solo ou na estrutura.
Para o consultor do Crea Romilde de Almeida Oliveira, ''em tese'' o edifício se encontrava dentro do conceito de ''vida útil'', que é de 50 anos. De acordo com ele, sem um estudo aprofundado e conhecimento do projeto qualquer indicação de causas do acidente é mera especulação. Ele se arriscou a afirmar, no entanto, que o fato de a edificação ter caído na vertical - evitando uma tragédia maior -, como se tivesse implodido, se deveu provavelmente a uma simetria na falha.

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