Desde anteontem, a comercialização de 16 produtos de 11 marcas de alimentos – entre elas algumas que possuem unidade industrial no Paraná – está proibida no Distrito Federal por apresentar contaminação pelo fungo Aspergillus Flavus, produtor da aflatoxina, que provoca câncer e hepatite B, segundo trabalhos recentes de pesquisadores de universidades norte-americanas. Os produtos contaminados são milho de pipoca, amendoim e subprodutos.
A determinação foi feita através da portaria 14/28 da Vigilância Sanitária (VS) do Distrito Federal. Segundo informou Berenice Klein, gerente-geral de fiscalização do órgão, a medida foi tomada porque as empresas são reincidentes. ‘‘O que já havíamos feito anteriormente não inibiam as empresas e não conseguiam proteger os consumidores. Por isso tomamos esta medida drástica’’, explicou.
A toxina não têm sabor, odor e não é perceptível a olho nu. A aflas é um enzima expelida pelo fungo após a digestão da proteína contida nestes alimentos. De acordo com a VS, a contaminação está relacionada à condições de armazenagem e de plantio.
‘‘A prevenção é difícil e deve ser feita através de um controle de qualidade da própria empresa e do incentivo ao cultivo de variedades mais resistentes’’, afirmou Berenice. Nos próximos dias, outra portaria da VS da capital federal deve instituir a obrigatoriedade de um selo de qualidade com base em resultado de testes em laboratórios credenciados pelo Ministério da Saúde em todo o País.
Os testes para detectar o fungo estão sendo realizados desde 1986 pelo Programa de Prevenção de Transmissão de Doenças por Alimentos. Em blitze realizadas em 1999 e 2000 – período em que a ciência mais avançou nas pesquisas, comprovando os males da aflatoxina, as mesmas marcas tiveram produtos recolhidos em supermercados e distribuidoras. A única punição ao comerciante era o recolhimento do produto. Com a portaria, o estabelecimento que comercializar os produtos contidos na lista negra pagarão multa de até R$ 5 mil. Na reincidência, o local será interditado.
Os produtos foram recolhidos em supermercados e distribuidoras do Plano Piloto, uma das concentrações urbanas de maior poder aquisitivo do País. Foi recolhida uma tonelada de alimentos. Berenice lembrou que a contaminação é praticamente generalizada e foi constatada em praticamente todos os lotes.
Um dos resultados que mais surpreenderam os técnicos do VS foi a constatação da aflotoxina no milho de uma marca de pipoca industrializada, cujo produto é importado dos Estados Unidos, um dos países de legislação mais severa no combate a esta substância. Nas marcas que comercializam milho de pipoca plantado no Brasil não houve nenhuma ocorrência de contaminação.
Uma marca de amendoim descascado do tipo 1, da mesma forma industrializada e embalada para vendas em supermercados, também apresentou traços da aflatoxina e também teve a venda proibida.

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