São Paulo, 18 (AE) - O diretor mundial de serviços financeiros da Microsoft, John Grispon, acredita que os portais de acesso à Internet são, no momento, o caminho para que, através de parcerias, os bancos tenham modelos de negócios eficientes e rentáveis. Nos Estados Unidos, 42% do tempo gasto pelos usuários na Internet é através de um dos oito principais portais de acesso - America Online, Yahoo, MSN, Excite, Lycos, Go, Netscape e Altavista. "Há muita opção hoje, mas a maioria das pessoas passa o tempo em poucos sites", afirmou.
Assim, de acordo com Grispon, as instituições financeiras precisam investir na Internet, apesar do custo ainda alto, porque a experiência de aprendizado de hoje será fundamental no futuro. Há uma tendência sólida, segundo ele, para a redução de custos e também para aumento de receita. "São dois pontos a serem equilibrados", afirmou.
Hoje, US$ 120 bilhões são movimentados nos Estados Unidos, através da Internet, mas será US$ 500 bilhões em 2002. Essa perspectiva fez com que o número de bancos que dão acesso ao cliente em seus site pulasse de 50 em 1997 para 400, neste ano. No mesmo período, os usuários cresceram de 1,5 milhão para 4 milhões. No Brasil, a estimativa é de que haja 3 milhões de usuários na Internet, sendo que 1,5 milhões seriam usuários de serviços de instituições bancárias.
Além da competição entre as instituições financeiras americanas, o consumidor é disputado pelos chamados "não bancos". Ou seja, corretoras e outras instituições que oferecem oportunidades de negócios, sem o custo de terem de manter agências. Depois que passou a operar na Internet, a Charles Schwab teve um aumento de 40% em suas vendas. "Essas são ameaças ao setor financeiro que podem roubar ativos dos bancos já em operação", ponderou Grispon.
Para evitar isso, Grispon disse que será essencial para os bancos "manter um bom relacionamento com os clientes atuais". Será fundamental "agilidade" para satisfazer uma clientela cada vez mais exigente. Além de caixas eletrônicos e Internet, o consumidor se valerá de outros instrumentos, como novos celulares e computadores-agenda, para entrar em contato com os bancos. "Não haverá nada entre os consumidores e os bancos que precisaram oferecer, cada vez mais, alternativas ao cliente, para não perdê-lo", disse.
Hoje, o americano médio é um cliente múltiplo, tendo operações com seis diferentes instituições bancárias. "Isso vai continuar ocorrendo e haverá sempre concorrência", disse Grispon. Prova disso, segundo ele, é uma pesquisa de janeiro deste ano, mostrando que os portais Yahoo e America Online estão entre os dez principais sites financeiros acessados pelos usuários da rede mundial de computadores, a Internet.

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