Curitiba - O Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas por Hanseníase (Morhan) denunciou ontem que o governo do Paraná está cortando benefícios a portadores da doença. Desde 1968, pessoas que não podem trabalhar devido a sequelas da hanseníase têm direito a um pagamento mensal, feito pelo Paraná Previdência e que desde 1986 equivale a um salário mínimo. ''As pessoas que estão me procurando para pedir ajuda recebem o benefício há 20, 30 anos'', relatou Francisca Barros da Silva, coordenadora nacional e estadual do Morhan. Ao todo, são mais de três mil beneficiários em todo o Estado.
A assessoria de imprensa da Secretaria de Estado de Administração e Previdência informou que em abril do ano passado foi constituído um grupo de trabalho para apurar possíveis irregularidades no pagamento do benefício a portadores de hanseníase. A equipe, composta por funcionários da própria secretaria, do Paraná Previdência e das secretarias de Estado de Planejamento e de Saúde, concluiu o trabalho em dezembro.
Como resultado, 55 beneficiários tiveram o pagamento suspenso. A justificativa para o corte foi que havia situações que entravam em desacordo com a Lei estadual nº 8.246, de 1986: alguns beneficiários não conseguiram provar que residiam no Paraná, outros haviam falecido e a maioria recebia pagamentos do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), o que caracterizava sobreposição de benefícios. Os beneficiários em situação regular não tiveram pagamentos suspensos, mas devem se recadastrar até abril.
''É uma situação que não dá para entender. Cerca de 90% dos beneficiários também recebem pagamentos do INSS. O governo fez tudo sem avisar ninguém e não conhece a história de vida dessas pessoas. Estamos buscando o diálogo e procurando uma solução, através de contatos com integrantes das secretarias de Estado, com advogados e com deputados'', disse Francisca.
Margarida Aparecida Ferreira dos Santos, 43 anos, portadora de hanseníase, recebe o benefício do governo do Estado e também um salário mínimo como aposentada através do Fundo Rural. Ela teme a possibilidade de perda dos pagamentos do Paraná Previdência. ''Um de meus filhos, uma nora e meu irmão moram comigo. Eu sustento a casa sozinha. Não sei o que vai ser de mim se eu deixar de receber os pagamentos'', afirmou ela.

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