Portadores de doença mental desassistidos no PR
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sexta-feira, 22 de julho de 2005
Maigue Gueths<br>Equipe da Folha 
Curitiba- O Paraná possui quase 40 mil pessoas portadoras de doença mental, segundo estimativas da Organização Mundial de Saúde (OMS). Dessas, apenas 4,7% recebem atendimento especializado em escolas especiais e/ou programas de saúde mental. Além da falta de consciência da população sobre a necessidade de atendimento especial para essa população, a falta de estrutura em todo Estado é a principal causa desse baixo índice de atendimento.
Os dados são críticos. Hoje, no Paraná, existem apenas cinco profissionais da área de psiquiatria infantil, duas escolas especiais em Curitiba e 37 Centros de Apoio Psicossociais (Caps). Ou seja, a maioria absoluta dos municípios não conta com nenhum tipo de atendimento a pacientes com transtorno mental, seja na área de saúde, assistência ou educação.
O que fazer para estruturar e organizar o atendimento a essa população é o assunto que está sendo discutido até amanhã, em Curitiba, no I Encontro da Rede de Profissionais Gerando Saúde Mental, em Curitiba. O evento é resultado de uma iniciativa da Associação Gerando Saúde Mental, criada há dois anos por 21 profissionais da área, com objetivo de organizar e estruturar o atendimento a pacientes com transtorno mental e, ainda, atuar na prevenção das doenças mentais.
''Nós sentimos necessidade de fazer alguma coisa. Não dava mais para ficarmos acomodados'', conta Angela Gomes, coordenadora da Associação. Atualmente no Paraná, segundo ela, quando uma criança ou adulto apresenta um quadro psicótico, é encaminhado para Curitiba porque os demais municípios não têm nenhuma estrutura de atendimento. O problema é que na Capital a fila de espera para atendimento no Centro Pediátrico Metropolitano (CPM) demora em média seis meses.
Com apoio dos governos federal, estadual e municipais e em parceria com duas entidades, as Associações de Pais e Amigos de Excepcionais (Apaes) e Pastoral da Criança, a Associação vem desenvolvendo um projeto-piloto em 110 municípios (um terço dos 300 onde existem Apaes). Em cada cidade, um grupo de quatro pessoas, sendo um coordenador, um representante da área da saúde, um da educação e um da assistência estão envolvidos no projeto. Segundo Angela, além do desejo dos 21 profissionais, a Associação tem a seu lado uma política inédita do Ministério da Saúde e do Governo do Estado para a área.
A necessidade de estruturação de um atendimento sistematizado é o principal desafio da área, segundo o senador Flávio Arns (PT), que apóia a iniciativa. A partir do encontro, que conta com a participação dos representantes dos 110 municípios, a expectativa é que essas pessoas retornem a suas cidades conscientes do que pode ser feito na área. ''Temos aqui pessoas-chaves que estão ouvindo palestrantes exemplificarem o que pode ser feito. Queremos que saiam daqui sabendo que existem muitas possibilidades do que fazer'', diz. A intenção, segundo ela, é organizar o atendimento em três áreas: assistência, educação e saúde.


