Portador de HIV pede indenização
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terça-feira, 21 de outubro de 2003
Luciana Pombo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O vigia Carlos Alberto Félix está pedindo na Justiça uma indenização de R$ 3 milhões por danos morais e materiais. Ele acusa o Ministério Público (MP) do Paraná de discriminação sexual e religiosa. Félix foi funcionário da instituição entre os meses de maio e agosto de 1997 e teria sido demitido sem justificativa.
De acordo com o advogado Maurício Barbosa dos Santos, o vigia era portador do vírus HIV há mais de oito meses quando comunicou o fato aos promotores lotados na época na Promotoria de Investigações Criminais (PIC). ''Foi aí que começaram as ações discriminatórias'', afirmou o advogado.
Segundo ele, o promotor Vani Bueno teria aberto um inquérito administrativo para apurar a conduta do vigia no expediente de trabalho. ''Ele foi acusado de promover festas no interior da PIC, mas no decorrer das investigações ficou comprovado que a festa foi promovida na casa do vizinho e ele não teve qualquer tipo de participação. Estava trabalhando normalmente'', alegou o advogado ontem, ao entrar com a ação de indenização numa das varas da Fazenda em Curitiba.
No inquérito administrativo, a conduta de Félix, entretanto, foi considerada inadequada. Entre os depoimentos mais fortes do inquérito está o do vigia Marco Arcoverde, que criticava a forma com que o colega se comportava. ''Eles reclamavam que o Félix mostrava preservativos que guardava na carteira, deixava folhas com crendices (já que era umbandista), dizia que tinha poderes paranormais, mostrava bananas em gestos obcenos'', relatou o advogado.
Conforme o parecer da PIC o vigia menosprezou e ridicularizou a instituição. ''Por ser homossexual e umbandista?'', questionou o advogado Maurício dos Santos. Depois de demitido, a PIC teria pedido para que ele retornasse ao trabalho. Félix foi procurado pela Folha, mas está sendo submetido a um tratamento no Rio de Janeiro.


