Brasília, 28 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso decidiu manter a nomeação de Ovídio de ¶ngelis para a Secretaria do Desenvolvimento Urbano, apesar do desgaste produzido pela denúncia de favorecimento com a liberação de verbas para prefeituras de Goiás. "O secretário será mantido no cargo e cumpriu o seu dever ao depor no Congresso", afirmou hoje o porta-voz da Presidência, Georges Lamazire.
A situação do secretário, entretanto, não está sob controle. Colaboradores muito próximos ao presidente garantem que sua permanência deve-se mais a fatores externos do que à satisfação de Fernando Henrique com o episódio. "Essa questão está mal resolvida e foi atropelada por outras coisas", afirmou a fonte. "Agora vai ficar esta alma penada na Esplanada", acrescentou, indicando que outro desfecho poderá ser dado quando a conjuntura do País acalmar-se novamente.
Segundo esse colaborador, enquanto Ovídio era sabatinado pelos parlamentares, hoje, o presidente estava mergulhado em problemas mais graves e urgentes: a briga com a Argentina e a greve dos caminhoneiros. Quando essa turbulência passar, emendou
Fernando Henrique poderá reavaliar a decisão.
Hoje, após o depoimento no Congresso, Ovídio foi recebido pelo presidente no Palácio da Alvorada para uma nova conversa. Fez um balanço do seu desempenho na comissão representativa e ouviu palavras conciliadoras. Saiu de lá com o cargo garantido.
A atitude do presidente, embora seja justificada, provocou reação negativa nos corredores do Palácio do Planalto. Um influente interlocutor de Fernando Henrique criticava hoje a manutenção do secretário, cobrando a promessa do presidente de estrear um novo estilo de governar, mais rápido na tomada de decisões e duro no modo de lidar com os problemas. "Mais uma vez, o governo não conseguiu decidir rápido e foi atropelado pelos fatos", disse.

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