Porta-voz diz que não há provas contra diretor da PF
Brasília, 11 (AE) - O porta-voz do presidente Fernando Henrique Cardoso, Georges Lamazire, afirmou hoje que "o governo não dispõe de nenhuma informação que dê alguma comprovação às alegações feitas até agora" contra o recém-nomeado diretor-geral da Polícia Federal (PF), João Batista Campelo, acusado de ter sido torturador nos anos 70, no Maranhão. "O único fato novo é que o presidente recebeu cópias de cartas e declarações da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) escritas na época (anos 70), e, em nenhum momento, esses textos mencionam o nome de Campelo". Segundo o porta-voz, nesses textos, recebidos hoje pelo presidente, "fala-se e faz-se protesto pela prisão do (ex-)padre" José Antonio Monteiro, hoje professor de Filosofia no Centro de Ensino Superior de Maceió. "A posição, sempre, nesses casos, é de que o estado de direito é baseado na presunção de inocência", disse Lamazire. Ele acrescentou: "O fato de que pessoas sejam objeto de algum tipo de denúncia ou apuração é, sem dúvida, um fato a ser considerado, mas não se pode presumir a culpabilidade de alguém com base em afirmação de outra pessoa, e, nesse caso, é claramente a palavra de uma pessoa contra a outra, pois Campelo nega (que tenha sido torturador)". O porta-voz não quis informar quem enviou os textos da CNBB ao presidente. Lembrou que Campelo foi secretário-geral da PF e de Segurança Pública em Roraima. "Ele tem uma longa carreira e goza de prestígio na corporação; foi indicado ao presidente com base em informações sobre sua competência profissional."





