Porta-voz desmente que juro alto é imposição do FMI
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quinta-feira, 28 de janeiro de 1999
Por Isabel Braga 
Brasília, 28 (AE) - Ao sair hoje da audiência com o presidente Fernando Henrique Cardoso, o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, Paulo Pereira da Silva, comentou ter ouvido o presidente reconhecer que as taxas de juros estão sendo mantidas elevadas por pressão do Fundo Monetário Internacional (FMI). A afirmação de Fernando Henrique foi desmentida mais tarde pelo porta-voz, Sergio Amaral, durante o "briefing" diário. "Não pude conversar com o presidente sobre isso, mas nem precisaria, porque me parece inverossímil que esta tenha sido a alegação do presidente", disse Amaral.
O porta-voz enfatizou que "o governo está mantendo a taxa de juros alta porque é necessária neste momento de grande volatilidade nas taxas de câmbio e nos primeiros dias do novo regime cambial para contrarestar (sic) as tentaçäes de remarcaçäes de preço". Segundo Paulinho, Fernando Henrique passou a maior parte do encontro de 40 minutos com os sindicalistas falando sobre a crise econômica pela qual o Brasil está passando. O tema principal do encontro eram a proposta de renovação da frota nacional de veículos e as demissäes na Ford.
"O presidente falou muito sobre a crise: disse que ela é grave, mas que há muita deturpação e que estão colocando muita especulação nos jornais", contou Paulinho. "O presidente também negou que o governo vá adotar a centralização do câmbio, porque ela significa preparar a moratória", acrescentou. O sindicalista afirmou ainda que Fernando Henrique, após comentar sobre a pressão do FMI para a elevação das taxas de juros, disse que a média dos juros em 1999 deve ficar em torno de 22%, percentual previsto no acordo firmado entre o Brasil e o fundo.
Desemprego - Ligado à Força Sindical, Paulinho foi à audiência com Fernando Henrique acompanhado do presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Luiz Marinho, ligado à Central Única dos Trabalhadores, na audiência com o presidente. Os dois chegaram a propor a Fernando Henrique a criação de frentes de trabalho nas regiäes metropolitanas. "Nós ponderamos que a desvalorização da moeda e a crise econômica deveriam provocar uma onda muito grande de demissäes na cidade", disse.
"O presidente pediu para esperar um pouco", ressaltou Paulinho. "Ele disse que poderia ser assim (com o aumento de desemprego), mas que também poderia ser o contrário." Paulinho lembrou que na desvalorização feita pelo então ministro da Fazenda, Delfim Netto, em 1979, provocou um queda de 6% no Produto Interno Bruto e um desemprego "violento". Mas que a desvalorização feita também por Delfim, em 1983, "deu certo na questão do emprego". "Foi nesta época que conseguimos garantir conquistas importantes para os trabalhadores como a redução de jornada de trabalho, o pagamento de 40% do FGTS no caso de demissão, um terço de férias e licença maternidade."
Luiz Marinho, da CUT, contou que enfatizou ao presidente a importância do apoio do governo federal à proposta de renovação da frota nacional de veículos porque permitiria reverter a tendência negativa do mercado, com o aumento de vendas de carros. "Eu disse ao presidente que o Brasil precisa disso e que ele também precisa", contou Marinho. Ele acusou o governo Fernando Henrique de "enrolar" em outras negociaçäes das quais participou, mas mostrou-se confiante em relação a esta negociação.
"A situação conjuntural é diferente e se o governo enrolar será ruim para sua imagem, pois não conseguirá reverter a imagem negativa desta crise econômica", argumentou Marinho. "Quando há vontade política é possível fazer acontecer", disse, ressaltando o apoio dado à proposta pelo presidente do Congresso, senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA). "Será um verdadeiro desastre para o País se o presidente não topar: o povo perderia e o presidente vai desgastando sua imagem neste segundo governo."


