‘‘Estudos indicam que a maconha pode ter alguns usos medicinais, mas não quer dizer que isso justifique a sua liberação’’, diz o psicólogo José Carlos da Silva Camargo, membro do Conselho Municipal de Políticas Públicas sobre Álcool e outras drogas. Para comparar, ele comenta que a Medicina emprega opióides, que também possuem efeito anestésico. ‘‘Mas eles possuem uso supercontrolado e não são liberados’’, afirma
  Sobre a questão da descriminalização do usuário da droga, Camargo diz que se o sujeito for dependente precisa de tratamento e não pode ser confundido com a figura do narcotraficante. Pela atual política nacional de drogas, não existe distinção entre a maconha e as demais drogas. Conforme a lei, o usuário de maconha não é preso, mas está sujeito a penas alternativas e multas.
  Camargo afirma que a maconha é um terceiro degrau na escalada do consumo de drogas. ‘‘As pessoas começam a consumir drogas que são lícitas, primeiramente o álcool, depois o tabaco e só a partir daí elas partem para o consumo de maconha, que acaba se tornando a porta de entrada para o consumo de outras drogas como a cocaína e o crack’’, explica.
Adolescentes
  A psicóloga do Centro de Atendimento Psicossocial Álcool e Drogas (Caps-ad), Simone Barbosa, diz que se fosse para dividir os usuários por idade, os pacientes que mais utilizam a maconha são os adolescentes. ‘‘É a droga inicial que é oferecida a eles’’, conta. Ela diz que muitos pacientes também utilizam a maconha para reduzir os danos provocados pelo uso de crack. ‘‘Para quem é viciado em crack, a maconha diminui a ansiedade e deixa a pessoa mais calma e eles acabam recorrendo a essa droga’’, diz.
  De acordo com a psicóloga, existem muitos fatores que podem levar as pessoas a utilizar a droga, entre eles o ambiente social em que o indivíduo está ou quando se encontra em uma situação insuportável. ‘‘O que eu sei é que nesses casos a droga ocupa um lugar importante na vida das pessoas’’, analisa a psicóloga. (V.O.)

mockup