Porecatu não é Brasil, desabafa trabalhador
O funcionário João Batista acusa a Usina Central Paraná de não indenizá-lo por um acidente que ele teria sofrido em maio de 1989. Batista relatou que sofreu fratura no tórax depois que um caminhão da empresa o teria prensado contra o portão. Fui como morto para o hospital e meu pai gastou o que não tinha para pagar as despesas, disse. Ainda segundo Batista, a usina nunca pagou nenhum centavo de indenização. Referindo-se aos desmandos da usina na cidade, o trabalhador desabafa: Porecatu não é Brasil. Porecatu é Porecatu.
O ex-funcionário Wanderlei Cardoso das Neves, 25 anos, disse que o pai, também empregado por mais de 20 anos, teria sido assassinado com uma cacetada na cabeça por um guarda da usina, em uma das fazendas, por causa de uma rixa. Minha mãe nunca recebeu o seguro de vida, assegurou.
A avó de Neves, Maria Vilanir da Silva, 75 anos, informou que o marido, José Pedro da Silva, faleceu em 1998 depois de ter trabalhado 39 anos na usina. Eles (diretores) me ofereceram R$ 81,00 para que eu desocupasse a casa da fazenda onde moro, afirmou Maria da Silva.
Segundo ela, durante 16 anos a empresa descontou o seguro de vida do salário do marido. Nunca pagaram nada, disse Maria, que reside na Fazenda Congo, que faz parte do patrimônio dos Atalla. Mãe de nove filhos, 37 netos e 19 bisnetos, Maria da Silva calcula que, somando o tempo de trabalho, todos os seus familiares já prestaram mais de 200 anos de serviço à Usina Central Paraná.
A reportagem da Folha tentou novamente entrar em contato com diretores da empresa, mas não obteve retorno às ligações. (M.B.)





