Porcelana chinesa tem alto teor de chumbo
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quinta-feira, 29 de novembro de 2007
Andréa Bertoldi<br>Equipe da Folha 
Curitiba- Análises realizadas pelo laboratório SGS do Brasil, credenciado pelo Inmetro, apontaram que a porcelana chinesa apresentou um alto teor de chumbo. Os Sindicatos das Indústrias de Porcelana e Cerâmica do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Minas Gerais, coletaram 12 amostras de pratos em lojas de departamentos de Curitiba, São Paulo e Rio de Janeiro e mandaram para análise. A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) permite um teor de chumbo de 0,8 mg/dm2 (miligrama por decímetro) mas os produtos chineses apresentaram índice de até 5,8 na decoração das peças. A FOLHA obteve a documentação com exclusividade.
O presidente do sindicato patronal do Paraná, José Canisso, disse que as indústrias brasileiras queimam a porcelana a uma temperatura de 1.200 graus Celsius e por isso conseguem que as peças tenham um teor de chumbo muito próximo de zero. Segundo ele, os chineses utilizam temperaturas menores para reduzir custo de produção o que acarreta em um teor alto de chumbo. ''Quando uma salada é temperada com vinagre em uma louça chinesa, o consumidor absorve direto o chumbo'', disse. Segundo ele, quando a porcelana é usada para colocar alimentos cozidos como arroz e feijão, a absorção da substância pelo organismo humano é mais lenta.
''Nós geramos impostos e empregos e os produtos chineses vêm abaixo da qualidade'', disse. Segundo ele, as indústrias chinesas operam com mão-de-obra barata (US$ 25 a US$ 35 por mês) e usam carvão mineral na queima, o que polui o meio ambiente. As fábricas do Paraná utilizam gás natural. ''Queremos que o governo federal crie barreiras comerciais para a porcelana chinesa e que exija o cumprimento do teor de chumbo da Anvisa'', afirmou.
As indústrias nacionais também pretendem lançar um selo de qualidade do produto brasileiro. Canisso disse que os sindicatos patronais vão procurar o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio para que seja cumprida a determinação da Anvisa.
Segundo ele, os chineses já dominam 40% do mercado brasileiro neste segmento e vendem produtos até 50% mais baratos em relação as peças nacionais. Canisso explicou que a produção de porcelana é feita em três etapas. Primeiro é feita a base estrutural do prato e realizada a queima da peça. Em seguida, o produto passa por uma espécie de banho de verniz e é novamente colocado no processo de queima. Ao final, a decoração é inserida através de decalque e acontece a queima final. A reportagem procurou a Câmara de Comércio e Indústria Brasil-China mas a entidade informou que não poderia se pronunciar sobre o assunto.
O chumbo pode provocar efeitos nocivos no sistema nervoso central, degeneração de regiões do cérebro, tremor muscular, perda de memória, distúrbios de visão e audição, entre outros problemas de saúde.
O pólo de indústrias do Paraná localizado em Campo Largo, na Região Metropolitana de Curitiba, produz 40 milhões de pratos por ano e atinge um total de 100 milhões de peças de mesa. Abriga as fábricas de porcelana Germer e Schmidt e de cerâmica Brasília, J. Rosa Portela e Tirolesa. O faturamento anual é de R$ 600 milhões e o setor emprega 6 mil funcionários.


