Por um desenvolvimento saudável
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quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018
Lais Taine<br>Reportagem Local 

A realidade de crianças e adolescentes que sofrem violência, maus tratos e abandono é cruel. A situação pode deixar marcas para a vida toda e o atendimento inadequado agrava ainda mais o problema. Pensando nisso, entidades de Londrina desenvolveram o projeto Fortalecendo o Futuro na tentativa de ampliar o Atendimento Interdisciplinar em Saúde da Criança. Mais de 100 crianças e adolescentes em situação de risco serão beneficiadas.
"O atendimento não será voltado apenas para crianças e adolescentes, mas olhando para o todo, para a família. Por isso, tem a previsão de assistente social junto, não só especialidades médicas. É preciso olhar o indivíduo como um todo. Isso certamente vai aliviar outros serviços que prestam o atendimento", afirma Gabriel Fiel Lutz, defensor público. O projeto teve iniciativa da Vara da Infância e Juventude do Ministério Público e Defensoria Pública, com apoio do Cismepar (Consórcio Intermunicipal de Saúde do Médio Paranapanema), da Prefeitura de Londrina e do Espaço Escuta.
Até então, os atendimentos dependiam de clínicas escolas ou de serviços basicamente filantrópicos realizados por clínicas particulares que adotaram programas de apoio. Embora os serviços tenham auxiliado no tratamento, o defensor afirma que as crianças e adolescentes em abrigos ou com medidas protetivas necessitam de atendimento especializado.
"A gente está tratando de pessoas em situação de hipervulnerabilidade que não poderiam simplesmente estar sendo atendidas em qualquer lugar e de qualquer maneira. Elas precisam de um atendimento contínuo para que possam superar essas vulnerabilidade e ter uma vida digna e um desenvolvimento saudável", defende. A expectativa é de que o programa inicie as atividades ainda no primeiro semestre deste ano.
O serviço é uma ampliação aos atendimentos interdisciplinares realizados pelo Cismepar. "(O atendimento) deve ser realizado na nossa própria estrutura", afirma Silvia Andrade, diretora de Planejamento e Atenção à Saúde do Cismepar. O programa recebeu aporte de R$ 1 milhão do Ministério da Saúde para a implantação. "Iniciamos agora com o piloto. É um recurso suficiente para um ano de trabalho, então nós certamente teremos uma série de avaliação e poderemos sim com um processo de expansão para toda nossa região e também para outras demandas", explica.
ACOLHIMENTO
Atualmente, a Vara da Infância e Juventude possui 108 registros de crianças em situação de abrigo que poderão ser atendidas pelo projeto. Andréa Ramos, assistente social do Nuselon (Núcleo Social Evangélico de Londrina) compreende a importância da disponibilização do tratamento. "As pessoas não imaginam, não têm contato com essa realidade cruel e de sofrimento que essas crianças têm. São casos gravíssimos. Todas as crianças que estão em instituição de acolhimento são crianças que sofreram muito, com vínculos rompidos, elas precisam desse atendimento para tratar o emocional", defende.
O Nuselon tem capacidade para acolher 40 crianças e adolescentes e entre elas estão as que precisam desse tratamento. "Esse atendimento era um buraco sem fundo em Londrina. É um atendimento oferecido só em clínica particular, então não tinha como atender nossas crianças. A gente tinha que lançar mão de estagiários, ir até as universidades, mas estagiário é por um período de tempo e terapeuticamente isso não é bom. Não tinha uma continuidade nos atendimentos", completa Ramos.


