Londrina - A noite de 3 de agosto ficará para sempre na memória de três famílias. A brutalidade do maquiador Diego Ramos Quirino, de 30 anos, contra quatro mulheres na Rua Olavo Bilac, no Jardim Bancários (zona oeste de Londrina), não será apagada. Após uma briga com a companheira, Patrícia Amorim Dias, de 19 anos, Quirino esfaqueou e matou a própria mãe, Ariadne Benck dos Anjos, de 48, que tentava evitar que Patrícia fosse agredida pelo filho.
Em seguida, o maquiador invadiu a casa vizinha e atacou a família da mãe de santo Yá Mukumby. Vilma Santos de Oliveira, de 63 anos, foi morta a facadas junto com a mãe, Allial de Oliveira dos Santos, de 86, e a neta, Olívia Santos de Oliveira, de 10. As primeiras letras dos nomes das três – VOA – foram tatuadas entre asas ao lado do ombro direito de Gislene Oliveira Rodrigues, filha de Vilma e tia de Olívia.
No braço esquerdo ela também tatuou o busto da mãe. "Nunca tinha feito uma tatuagem por medo da dor, mas esta foi a menor delas depois de tudo o que aconteceu", compara. Gislene é técnica em Enfermagem e cuida do pai, Flávio de Oliveira, de 61 anos, que um mês após o crime sofreu um derrame ao voltar à casa onde ocorreu a chacina. Além do pai, Gislene mora com o marido, quatro filhos, e o irmão mais novo, Victor Santos, no Jardim Ana Eliza 3, em Cambé (Região Metropolitana de Londrina).
No início do mês, Gislene recebeu em nome da mãe o título de Cidadã Honorária póstuma na Câmara de Vereadores de Londrina. Ela agradeceu a honraria, mas criticou as poucas ações do poder público enquanto a mãe era viva. "Para ela seria uma homenagem significativa, com certeza. Mas para mim, não escondo, vai ser apenas um pedaço de papel na parede", desabafa.

Situação na Justiça
Quirino está preso desde o dia do crime na unidade 2 da Penitenciária Estadual de Londrina (PEL). Gislene conta que não vê a hora do ano acabar. Ela espera que 2014 seja um ano muito melhor e não vê a hora do anúncio de uma data especial: o julgamento de Quirino. "Meu advogado calcula que deve sair ainda no primeiro trimestre do ano", diz. "Depois da tragédia, não sonhei com a minha mãe, mas já sonhei com o julgamento. Só espero justiça, mais nada", completa.
Foram realizadas duas audiências, com os depoimentos das testemunhas de defesa. O Ministério Público (MP) pediu o exame de sanidade mental do acusado. O pedido foi oficiado ao Instituto Médico Legal (IML), que ainda não marcou a data. O acusado será interrogado somente após o exame. A Justiça ainda não ouviu a ex-esposa do acusado, Patrícia, que se mudou para São Paulo.
O MP ofereceu denúncia criminal contra o maquiador por motivação de intolerância religiosa. Quirino é acusado de cometer cinco crimes, quatro homicídios qualificados e uma tentativa de homicídio. Se somadas, as penas ultrapassam 135 anos. "O acusado já demonstrava anteriormente um quadro de fanatismo. A intolerância religiosa é um dos aspectos qualificadores de motivo torpe e isso pode trazer uma acréscimo na pena", acrescenta o promotor Thadeu de Goes Lima.(C.F. e L.F.C.)

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