Por que vou à manifestação
“As manifestações deste domingo não são a favor do governo ou do Bolsonaro. São a favor do Brasil”
PUBLICAÇÃO
sábado, 25 de maio de 2019
“As manifestações deste domingo não são a favor do governo ou do Bolsonaro. São a favor do Brasil”
Paulo Briguet 
Cerca de 350 cidades brasileiras terão neste domingo (26) manifestações de apoio às reformas propostas pelo governo de Jair Bolsonaro. Em Londrina, a concentração está marcada para começar às 15 horas, na rotatória em frente ao Colégio Vicente Rijo. Para falar sobre o tema, entrevistei um dos líderes do ato público na cidade, o jovem Otavio Pedriali, 22 anos, estudante de Administração na UEL e membro do projeto Casa da Tolerância:

Avenida Paraná: Por que ir às manifestações de domingo?
Otavio Pedriali: Vou às ruas porque o futuro do Brasil corre perigo. O Centrão, eufemismo utilizado para se referir aos parlamentares que representam os interesses fisiológicos e patrimonialistas que há séculos mantêm o povo brasileiro esmagado pela estrutura burocrática do Estado, está conseguindo bloquear as principais reformas propostas pela equipe do presidente Bolsonaro. Sem elas, o Brasil não tem a menor chance de deixar de ser o eterno país do futuro em um prazo razoável. A articulação para derrubar estas reformas e, com isso, manter os privilégios e a impunidade, é evidente. Mas ainda é possível reverter o jogo de forças e aumentar a probabilidade de aprovação das reformas. Se a articulação política sem propina e toma lá dá cá está difícil, cabe ao povo brasileiro deixar claro que não aceita mais a velha política, que não quer uma reforma da Previdência desidratada e que não tolera a impunidade. A pressão das ruas é essencial. Se o leitor também não aguenta mais ver corruptos soltos e um Estado absurdamente inchado e endividado, deveria ir às ruas neste domingo.
Quais são as principais pautas do movimento, e por que elas são importantes?
A pauta é a defesa das principais reformas propostas pelo governo Bolsonaro, que estão sofrendo um intenso ataque da oposição e da velha política, especialmente a reforma da Previdência do Paulo Guedes e o pacote anticrime do Sergio Moro. Só no ano passado, a Previdência apresentou um deficit de R$ 195 bilhões, o que equivale a inacreditáveis 14% do total das arrecadações federais no mesmo ano. Se nada for feito, em um futuro não muito distante o Brasil será lançado ao total caos financeiro, a hiperinflação irá retornar e os empregos serão muito mais escassos do que já são. Longe de ser um espantalho para tentar aprovar a reforma pelo medo, este cenário não está muito distante: basta observar o exemplo da Grécia, por exemplo. A disputa não é entre ter uma aposentadoria maior ou menor: é entre ter alguma aposentadoria ou arriscar não ter aposentadoria alguma, pois a Previdência é hoje insustentável. Outra grande pauta é o pacote anticrime do Sérgio Moro, fundamental para reduzir a impunidade e a corrupção. Não é muita coincidência que entre os mais ferozes oponentes do pacote anticrime estejam políticos delatados e um partido cujo líder está preso?
As manifestações têm recebido críticas por serem “golpistas”, “antipolíticas” e “autoritárias”. O que você tem a dizer sobre essas acusações?
As acusações são descabidas, mas previsíveis. A quem não tem argumentos, só resta rotular o oponente. O que pode haver de autoritário em uma manifestação espontânea que exige menos governo e menos corrupção? O fato é que a classe política e parte da imprensa se acostumaram a pensar que democracia significa a população escolher quem vai mandar nela a cada quatro anos, e depois disso os políticos deveriam decidir tudo sozinhos, mas o sistema representativo não proíbe que a população se manifeste a respeito de grandes decisões. Autoritário é querer tirar a voz do povo. As manifestações deste domingo não são a favor do governo ou a favor do Bolsonaro. São a favor do Brasil.
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