Calma, meninas! Não pensem que vou contar aquela piada marota, ou, como diriam alguns, desrespeitosa, dos apóstolos convocados pelo Divino Mestre...
Nada disso. Longe de mim tal sacrilégio! O que eu queria mesmo dizer é que me chateia ser considerado colega de toga daquele cidadão conhecido internacionalmente pela alcunha de Lalau. Colega, uma ova! Esse sujeito nunca fez concurso para Juiz! Vejam bem. Não que me considere melhor do que outra pessoa qualquer. O problema é que não vou dar esse gostinho àquela turma debochada, interessada em jogar lenha na fogueira para desmoralizar o Poder Judiciário, que não perde a oportunidade de denegrir a Magistratura, como um todo, partindo do princípio de que um de seus membros é ladrão de casaca e que teria sido encontrado, afinal, o fio da meada da corrupção da (antes...) intocável instituição.
Por favor, não me interpretem também como falso moralista. Mas não sou hipócrita. Não consigo entender como um cidadão que ocupe cargo de tal importância não tenha um mínimo de escrúpulo, um mínimo de cidadania, um mínimo de sentimento de piedade ao ver seus compatriotas, milhões deles, morrendo de fome e sem moradia, enquanto ele, zombando da miséria desse povo, locupleta-se com o dinheiro público, assaltando descaradamente, insaciavelmente, o erário. Vou além. Penso se um milhão de reais não seriam suficientes para satisfazer a ganância do pulha. Ou, no máximo, dois milhões. Mas, cento e sessenta e nove milhões transferidos para o exterior...Isso já não é ganância. É certeza da impunidade. É puro desaforo. É um escárnio a todos nós, brasileiros!
Cá, de meu canto, fico matutando... Que raciocínio simplista leva um indivíduo desses a cometer um crime de lesa pátria, delito continuado, sem o menor remorso? Anos e anos metendo impunemente a mão no jarro, para garantir para si e para a família uma vida de nababos... Tenho afirmado em meus escritos, citando pensamento alheio, que, tanto na Bíblia como em Shakespeare, o criminoso acaba sendo punido. Mas, esse ‘‘árbitro’’ - que juiz não é! - (perdoem-me os árbitros!) nomeado sem concurso público, continua zombando da nação inteira, escondendo-se no sótão para não ser castigado pela estrepolia de menino levado... Ah! Ele acaba de mandar dizer, por seus advogados, que não se entrega à Justiça por receio de ser linchado pelo povo, por essa gente miserável de quem ele roubou a cesta básica. Só agora se lembra dos efeitos danosos da desmoralização pela mídia. Só agora parece temer a execração pública! Talvez o corte de suas aposentadorias tenha feito com que ele repensasse sua decisão de continuar foragido. E também a situação incômoda de ser caçado como um bicho, com suas fotos espalhadas pelo mundo inteiro.
Algum filósofo ladino já garantiu que Lalau está com dinheiro demais no bolso, para ser encontrado. Es decir: Sabem quando ele será encontrado e preso? Nuncas de bitiritiba! O canalha tem grana suficiente para ir abrindo caminho por essas veredas tropicais durante muito tempo, ainda. Ilhas Carimã que fiquem com seus caraminguás, míseros 8 milhões de dólares. Lalau não precisa deles. Aposentadoria de 16 mil? Deixa pra lá! Ainda lhe restam mais de 100 milhões para torrar em outros paraísos fiscais...
Ora, ora, Nicolau! Por que te escondes? Não seria melhor aparecer, entregar-te às autoridades, confessar-te arrependido e receber uma reprimenda por aquele ato impensado, aquele comportamento pouco ético a que, num momento de fraqueza, miseravelmente sucumbiste? Quem sabe, um dia, ainda possas voltar a ser chamado de Excelência! Olha, seu Lalau! Aquela menina, sua colega Georgina, fez isso e deu certo...
Albino de Brito Freire é membro da Academia Paranaense de Letras

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