Por Isabel Braga e Gilse Guedes
Brasília, 7 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso anunciou hoje (7) à noite, durante jantar na residência do ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga, que neste ano a ênfase do governo será a ação na área social e fará muitas viagens pelo País, visitando obras. "Este será, de fato, um ano de crescimento, a perspectiva é muito positiva, muito boa, e nós vamos enfatizar a ação social do governo", relatou Pimenta da Veiga após o encontro, do qual Fernando Henrique foi o primeiro a se retirar, às 22h10. Segundo o ministro, a decisão de centrar o foco administrativo na área social nada tem a ver com o fato de estar baixa a popularidade do presidente.
Participaram da reunião também os ministros José Carlos Dias (Justiça), Aloysio Nunes Ferreira (Secretaria Geral da Presidência) e Pedro Parente (Casa Civil) e os líderes do Governo no Senado, na Câmara e no Congresso, respectivamente senador José Roberto Arruda (PSDB-DF), deputado Arnaldo Madeira (PSDB-SP) e deputado Arthur Virgílio Neto (PSDB-AM).
Pimenta da Veiga acrescentou que os participantes conversaram sobre a pauta de trabalhos da convocação extraordinária do Congresso e fizeram projeções políticas. O ministro disse que o presidente revelou a decisão de dar prioridade à ação social "com a certeza de que este será um período de crescimento."
Segundo o ministro das Comunicações, a questão das eleições municipais deste ano foi abordada "apenas superficialmente" na reunião. Pimenta da Veiga disse não acreditar que a campanha eleitoral venha a prejudicar a tramitação e a votação, no Congresso, das propostas de interesse do governo. "Nós acreditamos que, no primeiro semestre, elas não vão interferir, mas no segundo semestre, sim." Por isso, segundo ele, os governistas pretendem aprovar no primeiro semestre tudo o que for possível.
O ministro reiterou que, durante a convocação extraordinária do Congresso, que terminará no dia 10 de fevereiro, a prioridade do governo é a aprovação da proposta de emenda constitucional que prorroga a possibilidade de Descentraliziação de Receitas da União (DRU), do projeto que cria a Lei de Responsabilidade Fiscal e a proposta de Orçamento da União para 2000.
Pimenta da Veiga minimizou a gravidade das divergências entre o presidente da República e o presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), que não concorda em alterar o conteúdo do projeto que restringe o poder do Executivo de editar medidas provisórias, que tramita na Câmara. "É um problema da Câmara", disse. A uma pergunta sobre o clima desfavorável criado pelas críticas de Magalhães a Fernando Henrique, Pimenta respondeu: "Não falamos sobre isso, nossa análise foi muito positiva". E reiterou que o presidente da República "vai se deslocar muito pelo País (em 2000), vai estar presente nos episódios mais importantes, visitar locais de ações que o governo vem desenvolvendo".
Um repórter lhe perguntou se essa decisão de Fernando Henrique tem relação com a baixa popularidade presidencial. O ministro respondeu: "Não, não. No primeiro semestre de 99, o govenro viveu seu momento mais crítico, por causa da mudança do câmbio, mas, como isso já está superado, podemos agora programar ações mais positivas na área social. E foi o que fizemos hoje." Pimenta da Veiga relatou que na reunião foi discutido também o problema dos flagelados das enchentes no Sudeste do País, lembrou que os Correios estão arrecadando donativos e disse que, no âmbito do Ministério da Saúde está sendo discutida a questão do envio de remédios às vítimas e que a Defesa Civil nacional está em contato com os prefeitos para saber das necessidades dos municípios atingidos.
O ministro confirmou que na segunda-feira o presidente terá reunião, às 15 horas, com os ministros integrantes do Grupo de Coordenação Política para discutir como conseguir quórum elevado no Congresso e fazer um mapeamento dos votos favoráveis às propostas do governo.





